Conselheiro de Trump reconhece possível falha em morte que abala política imigratória
Stephen Miller, conselheiro influente e conhecido por posições radicais do presidente norte-americano Donald Trump, fez uma declaração surpreendente na terça-feira (28). Ele admitiu que a morte do enfermeiro Alex Pretti, ocorrida em Minneapolis no sábado anterior, pode ter resultado do descumprimento de protocolos operacionais pelos agentes federais envolvidos.
Mudança de postura na Casa Branca
O caso do enfermeiro de 37 anos, morto por agentes da Patrulha de Fronteira durante protestos, gerou repercussão internacional e desencadeou uma significativa transformação no discurso da administração Trump. Miller, que anteriormente havia se referido a Pretti de forma pejorativa, agora afirma que está sendo analisado por que a equipe da Customs and Border Protection (CBP) pode não ter seguido os procedimentos estabelecidos.
Esta não é uma mudança isolada. O próprio presidente Trump alterou substancialmente sua retórica sobre as operações anti-imigração no estado de Minnesota. Se inicialmente defendia que se deixasse os agentes "trabalharem", agora fala abertamente em "reduzir a tensão" na região.
Pressão política força ajustes na estratégia
Segundo informações do Wall Street Journal, a virada na postura governamental começou quando lideranças do Partido Republicano alertaram Trump sobre os riscos políticos da situação. A morte de Pretti e a violência nas ações do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega) poderiam comprometer o apoio popular à principal bandeira trumpista: o combate à imigração ilegal.
Integrantes da alta cúpula da Casa Branca passaram a avaliar que as imagens da morte do enfermeiro representavam um risco elevado para a agenda presidencial. Até mesmo organizações tradicionalmente aliadas, como grupos pró-armas, começaram a criticar declarações de membros do governo que questionavam o fato de Pretti estar armado durante o protesto - mesmo ele possuindo autorização legal para porte de arma.
Reconfiguração operacional em Minneapolis
A mudança de postura se materializou em ações concretas:
- Trump iniciou contato com o governador de Minnesota, Tim Walz, e o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, pedindo colaboração
- Frey anunciou que a Casa Branca concordou em reduzir o número de agentes federais na cidade
- Gregory Bovino, comandante da Patrulha de Fronteira responsável pela operação, foi realocado para a Califórnia
- Tom Homan, conhecido como "czar da fronteira" de Trump, assumiu o comando das operações em Minneapolis
Um alto funcionário do governo revelou à Reuters que Homan pretende abandonar as grandes operações de busca em bairros, adotando uma abordagem mais tradicional e menos confrontadora.
Condolências e investigação
Nesta terça-feira, Trump expressou condolências à família de Pretti e afirmou que estaria "acompanhando de perto" a investigação sobre o assassinato. Quando questionado sobre declarações de funcionários que classificaram o enfermeiro como terrorista doméstico, o presidente respondeu: "Não ouvi isso, mas certamente ele não deveria estar portando uma arma."
A morte de Alex Pretti, portanto, não apenas expôs possíveis falhas operacionais nas ações federais, mas também forçou uma reavaliação estratégica na implementação da política anti-imigração que tem sido central para a administração Trump. O caso demonstra como eventos isolados podem gerar significativas consequências políticas, obrigando ajustes mesmo em agendas consideradas prioritárias pelo governo.