China reafirma uso da força sobre Taiwan após investigação de general
China reafirma uso da força sobre Taiwan após investigação

China reafirma posição firme sobre Taiwan após investigação de alto general

O governo da China reafirmou nesta quarta-feira, 28 de janeiro de 2026, que nunca renunciará ao uso da força para assumir o controle de Taiwan. A declaração ocorre poucos dias após autoridades chinesas anunciarem a abertura de uma investigação contra o general Zhang Youxia, considerado o segundo nome mais importante do Exército do país.

Investigação anticorrupção e mensagem política

Durante entrevista coletiva, a porta-voz do Gabinete para Assuntos de Taiwan do Conselho de Estado, Zhang Han, afirmou que a investigação demonstra que o Comitê Central do Partido Comunista e a Comissão Militar Central não têm zonas proibidas. Ela destacou que as ações abrangem todos os níveis da hierarquia e mantêm tolerância zero no combate à corrupção.

Segundo Zhang, o processo é uma demonstração clara da determinação e da capacidade do Partido e das Forças Armadas de enfrentar irregularidades internas. Ela acrescentou que, sob a liderança firme do Comitê Central e do presidente Xi Jinping, Pequim continuará a manter a iniciativa e a capacidade de liderança nas relações através do Estreito de Taiwan.

Espaço para reunificação, mas ameaça de força

A porta-voz ressaltou que a China está disposta a criar um amplo espaço para a chamada reunificação pacífica e a envidar o máximo de esforços nesse sentido. No entanto, deixou claro que o governo chinês nunca prometerá abandonar o uso da força nem permitirá qualquer forma de atividade separatista relacionada à independência de Taiwan.

As declarações foram feitas quatro dias depois de o Ministério da Defesa da China anunciar investigações contra Zhang Youxia e Liu Zhenli, primeiro vice-presidente da Comissão Militar Central e chefe do Departamento do Estado-Maior Conjunto. Ambos são acusados de graves violações da disciplina e da lei, expressão frequentemente utilizada pelas autoridades chinesas para se referir a crimes de corrupção.

Impacto na estrutura militar e reação de Taiwan

As investigações afetam diretamente a estrutura de comando das Forças Armadas chinesas. Dos sete integrantes da Comissão Militar Central no fim de 2022, restam atualmente apenas dois: o próprio Xi Jinping, que preside o órgão, e Zhang Shengmin, vice-presidente responsável pela campanha anticorrupção no Exército.

Analistas avaliam que as purgas no alto escalão militar não alteram o objetivo estratégico de Xi Jinping de assumir o controle de Taiwan, ilha governada de forma autônoma desde 1949 e considerada por Pequim parte inalienável do território chinês.

Após o anúncio das investigações, o ministro da Defesa de Taiwan, Wellington Koo, afirmou que a ilha não reduzirá o nível de alerta nem o preparo militar. Segundo ele, Taiwan continuará acompanhando de perto as mudanças nas cúpulas do Partido Comunista Chinês, do governo e das Forças Armadas da China, mantendo sua postura defensiva diante do fato de que Pequim jamais abandonou a possibilidade do uso da força contra o território.

Contexto internacional e posição de Xi Jinping

Em meio a essas tensões, Xi Jinping reafirmou apoio à ONU e criticou iniciativa rival dos EUA. Durante reunião com o premiê finlandês em Pequim, Xi Jinping reforçou o apoio da China à ONU como base do sistema internacional e evitou comentar se o país aceitará participar do Conselho da Paz, iniciativa multilateral anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Essas movimentações destacam o cenário complexo em que a China busca equilibrar sua postura interna anticorrupção com a assertividade na questão de Taiwan, mantendo uma posição firme no cenário internacional.