O governo brasileiro reagiu com veemência e convocou uma reunião ministerial de emergência após a ação militar dos Estados Unidos que resultou na captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, na madrugada deste domingo (3). O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou o ataque como "inaceitável" e uma grave afronta à soberania, abrindo um "precedente perigoso" para a América Latina.
Resposta Imediata do Governo Brasileiro
O chanceler Mauro Vieira, que estava de férias, interrompeu seu recesso e retornou a Brasília para coordenar a resposta diplomática. Ele participará, por videoconferência do Palácio Itamaraty, da reunião ministerial da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), convocada para este domingo (4) às 14h (horário de Brasília) para discutir a situação na Venezuela.
O presidente Lula, em recesso em uma base militar no Rio de Janeiro, coordenou a reunião de forma remota e deve retornar à capital federal na segunda-feira (6). Além do chanceler, participaram da reunião de emergência o ministro da Defesa, José Múcio, o ministro-chefe da Casa Civil, o ministro-chefe da Secom, o Ministério da Justiça e Segurança Pública, a embaixadora do Brasil em Caracas e representantes da Secretaria de Relações Institucionais.
Situação na Fronteira e Declarações Oficiais
O ministro da Defesa, José Múcio, afirmou que, até o momento, não há movimentação anormal na extensa fronteira de mais de 2 mil quilômetros entre Brasil e Venezuela. Do lado brasileiro, a passagem permanece aberta e as atividades estão regulares, embora o governo venezuelano tenha fechado seu lado na manhã deste domingo.
Múcio também informou que cerca de 100 turistas brasileiros que estavam na Venezuela conseguiram sair do país sem dificuldades ao longo do dia, e que não há brasileiros entre as possíveis vítimas dos ataques. O Ministério da Justiça, contudo, publicou nota afirmando que se prepara para um eventual aumento no fluxo de refugiados.
Condenação Firme de Lula e Posicionamento Internacional
Em publicação nas redes sociais, o presidente Lula foi enfático ao condenar a ação militar norte-americana. "Os bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável", declarou. Ele acrescentou que os atos representam uma afronta gravíssima à soberania e um precedente extremamente perigoso, violando o direito internacional e ameaçando a região como zona de paz.
Lula defendeu que a comunidade internacional, por meio da Organização das Nações Unidas (ONU), deve responder de forma vigorosa ao episódio. O Brasil, segundo ele, condena as ações e segue à disposição para promover o diálogo e a cooperação.
O Futuro da Venezuela e as Declarações de Trump
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou no sábado (3) que ainda decide sobre o futuro da Venezuela. Ele revelou que Maduro e sua esposa estão a caminho de Nova York, a bordo de um navio da Marinha norte-americana posicionado no Caribe desde o fim de 2025.
Em entrevista à Fox News, Trump também declarou que os EUA passarão a estar "fortemente envolvidos" com a indústria de petróleo venezuelana, sem dar detalhes, mas afirmando que a China "continuará recebendo petróleo venezuelano".
A Celac, bloco criado no México em 2010 que reúne 33 países da região, terá a crise venezuelana como ponto central da pauta de sua reunião extraordinária. O bloco tem como objetivos a integração e a coordenação política, econômica e social da América Latina e do Caribe, temas que ganham urgência máxima diante da intervenção militar estrangeira.