O Conselho de Segurança das Nações Unidas realizou uma sessão de emergência nesta segunda-feira, 5 de fevereiro, para discutir a recente operação militar conduzida pelos Estados Unidos na Venezuela. O debate, solicitado pela Colômbia e pela própria Venezuela, expôs um cenário internacional profundamente dividido.
Divisão Internacional em Cena
Um total de 29 nações participaram dos debates, incluindo os 15 membros do Conselho e outros 14 países convidados. A posição majoritária foi de clara reprovação à ação americana. 24 países se manifestaram contra a ofensiva ou defenderam publicamente os princípios da Carta da ONU, que proíbe o uso da força contra a integridade territorial de um Estado.
Entre as vozes críticas estiveram nações com tradições diplomáticas distintas, como Brasil, França, China e Rússia. O embaixador brasileiro, Sérgio Danese, foi enfático ao classificar a intervenção como uma "violação flagrante" da Carta da ONU e do direito internacional. "Os bombardeios em território venezuelano e a captura de seu presidente ultrapassam um limite inaceitável", afirmou Danese, alertando para o precedente perigoso que tal ação estabelece.
Os Argumentos a Favor e a Resposta Venezuelana
Em contraste, apenas três países expressaram apoio explícito à operação: os próprios Estados Unidos, Argentina e Trinidad e Tobago. O embaixador argentino justificou o apoio, valorizando a determinação americana em capturar o que chamou de "ditador" Nicolás Maduro, vendo na ação um avanço contra o narcoterrorismo na região.
O representante americano, Mike Waltz, negou que se tratasse de uma guerra ou ocupação. "Não estamos ocupando um país. Essa foi uma operação para aplicar a lei", declarou, descrevendo-a como uma "operação policial cirúrgica" com apoio militar, destinada a prender um traficante de drogas com acusações pendentes há anos.
A resposta venezuelana foi veemente. O embaixador Samuel Moncada qualificou a detenção de Maduro como um "sequestro" e a operação como um "ataque ilegítimo". Ele argumentou que os motivos reais seriam o interesse na posição estratégica e nas riquezas naturais da Venezuela, como petróleo. "Aceitar essa lógica significa abrir a porta para um mundo instável", advertiu, defendendo que a soberania internacional estava em jogo.
Repercussões e Desdobramentos
O clima de tensão se refletiu também em Washington. No mesmo dia, integrantes do governo Trump reuniram-se com parlamentares para discutir os próximos passos. Antes do encontro, o líder da oposição na Câmara, Hakeem Jeffries, já cobrava explicações sobre como os EUA pretendem administrar a situação no país vizinho.
Em entrevista à NBC, o presidente Donald Trump reforçou que não está em guerra com a Venezuela, mas deixou uma ameaça no ar: afirmou que uma segunda operação militar é possível se o governo interino deixar de cooperar. Trump também descartou a realização de novas eleições no país dentro de um prazo de 30 dias.
A reunião na ONU começou com um apelo da subsecretária-geral, Rosemary DiCarlo, pelo respeito às leis internacionais. O episódio deixa claro que, apesar da ação militar consumada, a pressão diplomática e o debate sobre os limites da intervenção internacional estão longe de terminar, com a comunidade global observando atentamente os próximos capítulos desta crise.