Política “Rato, bandido e criminoso”: a reação do sobrinho de Dilma Rousseff à candidatura de Eduardo Cunha
Pedro Rousseff, vereador do Partido dos Trabalhadores em Belo Horizonte e sobrinho da ex-presidente Dilma Rousseff, fez duras críticas ao plano de Eduardo Cunha de se candidatar a deputado federal por Minas Gerais. Em entrevista exclusiva, o político petista classificou o ex-presidente da Câmara como "bandido" e "rato da política", acusando-o de buscar apenas benefício próprio com a possível candidatura.
Críticas diretas e acusações graves
Pedro Rousseff não poupou palavras ao se referir a Eduardo Cunha, uma das figuras centrais no processo de impeachment que cassou o mandato de Dilma Rousseff em 2016. "A intenção do bandido do Cunha em se candidatar a deputado federal por Minas não é um projeto que visa o benefício dos mineiros, mas sim o benefício dele mesmo", afirmou o vereador com veemência.
O sobrinho da ex-presidente foi ainda mais contundente ao declarar: "Tenho certeza que os eleitores do Estado não vão dar voto para esse criminoso que articulou um golpe contra Dilma". As declarações foram feitas durante entrevista concedida a um importante veículo de comunicação nacional, demonstrando a intensidade do descontentamento com as pretensões políticas de Cunha.
Posição de Dilma Rousseff sobre o assunto
Segundo Pedro Rousseff, sua tia Dilma mantém distância do tema e evita comentários relacionados a Eduardo Cunha. "Esse rato da política pouco importa para ela. Dilma está preocupada com coisas mais importantes do que prestar atenção nesse bandido", destacou o vereador, que também atua como presidente do Banco dos Brics desde o início do terceiro governo Lula.
A postura de ignorar completamente as movimentações políticas do ex-presidente da Câmara parece ser uma estratégia consciente da ex-presidente, que prefere focar em outras prioridades em vez de se envolver em polêmicas relacionadas ao seu passado político.
Repercussão nas redes sociais e resposta de Cunha
Pedro Rousseff também levou suas críticas para as redes sociais, onde publicou um vídeo no Instagram reforçando suas posições. No material, ele afirma categoricamente que Minas Gerais não é a "casa da mãe Joana" para receber candidatos como Eduardo Cunha, utilizando uma expressão popular para enfatizar que o Estado merece representantes de maior qualidade ética e política.
Quando questionado sobre as declarações do sobrinho de Dilma, Eduardo Cunha respondeu com desdém: "não vai perder tempo em responder pessoas do quilate do sobrinho de Dilma". Além disso, o ex-presidente da Câmara ameaçou processar Pedro Rousseff por conta das declarações consideradas ofensivas, indicando que a tensão entre as partes permanece elevada.
Contexto histórico e trajetória política de Eduardo Cunha
Eduardo Cunha pretende disputar uma vaga de deputado federal por Minas Gerais por considerar que o Estado possui um valor eleitoral estratégico importante. Sua trajetória política inclui:
- Deputado estadual pelo Rio de Janeiro entre 2001 e 2003
- Quatro mandatos como deputado federal pelo Rio de Janeiro (2003-2016)
- Presidência da Câmara dos Deputados em 2015, quando aceitou o impeachment contra Dilma Rousseff
- Prisão em 2016 no âmbito da Operação Lava Jato
- Impedimento de disputar as eleições de 2018 devido à Lei da Ficha Limpa
A inelegibilidade de Cunha foi derrubada pela Justiça em 2022, ano em que tentou retornar à Câmara concorrendo, sem sucesso, por uma vaga em São Paulo. Agora, suas pretensões se voltam para Minas Gerais, gerando reações intensas como as manifestadas por Pedro Rousseff.
Implicações políticas e eleitorais
Este episódio revela as tensões persistentes na política brasileira, especialmente entre setores do PT e figuras associadas ao impeachment de Dilma Rousseff. As declarações de Pedro Rousseff refletem:
- O ressentimento ainda vivo entre apoiadores da ex-presidente em relação aos atores do processo de impeachment
- A estratégia de confronto direto contra adversários políticos considerados inimigos históricos
- A tentativa de influenciar a opinião pública mineira contra uma possível candidatura de Eduardo Cunha
- A manutenção de divisões políticas profundas que continuam a moldar o cenário eleitoral brasileiro
O caso também ilustra como questões do passado político recente continuam a ecoar no presente, influenciando discursos, alianças e estratégias eleitorais de diferentes atores do espectro político nacional.