Ex-presidente do BRB afirma à PF: faltam provas concretas de fraude do Banco Master
Ex-presidente do BRB: sem provas de fraude do Banco Master

Ex-presidente do BRB nega evidências concretas de fraude do Banco Master em depoimento à PF

Em um depoimento prestado à Polícia Federal no mês passado, o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, afirmou que faltam provas concretas de que o Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, cometeu uma fraude ao vender carteiras de crédito à instituição que ele comandava. O negócio, avaliado em 12 bilhões de reais, está no centro da crise que levou o Banco Central a decretar a liquidação extrajudicial do Master em novembro do ano passado.

Declarações de Costa sobre a ausência de evidências

Durante o depoimento, Costa declarou que "até hoje a gente não tem clareza de que isso foi uma fraude". Ele acrescentou que não existe "uma evidência concreta de que essas carteiras tinham problema". O ex-presidente do BRB reconheceu que a carteira apresentada pelo Master, lastreada em créditos gerados pela empresa Tirreno, não atendia aos critérios técnicos do banco, mas negou que isso configurasse uma fraude, atribuindo a situação a uma falta de "clareza".

Investigações e mudanças de versão do Banco Master

Segundo investigações da Polícia Federal e do Ministério Público, há evidências de que os créditos vendidos pelo Master ao BRB são fictícios, ou seja, simplesmente não existem. Um dos indícios mais fortes apontados pelas autoridades é a mudança de versões apresentada pelo Master ao Banco Central para justificar a origem dos créditos:

  • Inicialmente, o Master alegou que a carteira era proveniente de duas associações de servidores públicos da Bahia, a Asteba e a Asseba.
  • Em seguida, atribuiu sua fonte a créditos concedidos a pessoas físicas em todo o país.
  • Posteriormente, informou que a carteira foi comprada de outra empresa, a Tirreno.
  • Quando o BC apontou que a Tirreno não teria porte para gerar uma carteira de 12 bilhões de reais, o Master apresentou uma quarta versão: a de que a Tirreno apenas revendeu créditos que adquirira de outra companhia, a Carto.

Reconhecimento de mudanças documentais

O ex-dirigente do Banco de Brasília admitiu que, ao longo dos meses, notou uma "mudança de padrão documental e de originação do crédito". Isso significa que o Master passou a atribuir a carteira a diferentes empresas, conforme as versões foram sendo alteradas. Mesmo com a documentação fora dos padrões exigidos pelo BRB, Costa afirmou que não havia indícios de fraudes, argumentando que os 12 bilhões de reais corresponderiam a mais de 1 milhão de contratos de crédito atribuídos a mais de 400.000 CPFs, e que a quitação desses contratos estava ocorrendo dentro do esperado.

Contexto da crise e liquidação do Banco Master

A compra pelo BRB de carteiras de crédito em sucessivas transações entre janeiro e maio de 2025 é o ponto central da crise que resultou na liquidação extrajudicial do Banco Master pelo Banco Central. As investigações continuam em andamento, com a Polícia Federal e o Ministério Público buscando esclarecer se houve ou não fraude nesse negócio bilionário, enquanto o ex-presidente do BRB mantém sua posição de que as provas concretas ainda são insuficientes.