Ex-governadores do Distrito Federal protocolam pedido de impeachment contra Ibaneis Rocha
Em um movimento político de grande repercussão, os ex-governadores do Distrito Federal Rodrigo Rollemberg (PSB) e Cristovam Buarque (Cidadania), acompanhados do ex-interventor Ricardo Cappelli e do presidente do PSB no DF, Rodrigo Dias, protocolaram nesta sexta-feira, 23 de janeiro de 2026, um pedido formal de impeachment do atual governador, Ibaneis Rocha (MDB). A ação judicial está diretamente ligada ao suposto envolvimento do governador com as fraudes bancárias do Banco Master, um caso que tem agitado o cenário político e financeiro da capital federal.
Acusações de crime de responsabilidade na operação bilionária
Os requerentes acusam Ibaneis Rocha de crime de responsabilidade devido à tentativa do BRB, banco estatal controlado pelo governo do Distrito Federal, em adquirir a instituição financeira de Daniel Vorcaro. Segundo informações divulgadas pelo Radar, Vorcaro admitiu em depoimento à Polícia Federal que tratou diretamente com o governador sobre a venda do Banco Master para o BRB, uma operação avaliada em bilhões de reais. Essa revelação coloca Ibaneis no centro das investigações, levantando sérias questões sobre sua conduta administrativa.
Em resposta às acusações, o governador reconheceu que conhece o banqueiro Daniel Vorcaro e esteve em sua residência, mas negou veementemente ter discutido ou participado de qualquer negociação relacionada à transação financeira. A defesa de Ibaneis insiste na falta de provas concretas que liguem sua atuação às irregularidades apontadas, argumentando que as alegações são politicamente motivadas.
Desafios políticos e procedimentais para o impeachment
O processo de impeachment de Ibaneis Rocha enfrenta obstáculos significativos no âmbito da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF). Atualmente, a presidência da casa é ocupada por Wellington Luiz, que pertence ao mesmo partido do governador, o MDB. Essa afinidade partidária pode complicar a tramitação do pedido, uma vez que o presidente tem influência direta sobre a agenda e os procedimentos legislativos. Analistas políticos destacam que, sem o apoio de Wellington Luiz, as chances de o impeachment avançar são consideravelmente reduzidas, o que pode transformar o caso em uma batalha prolongada e cheia de reviravoltas.
O documento protocolado pelos ex-governadores e aliados detalha as supostas irregularidades na tentativa de compra do Banco Master, enfatizando que o BRB teria adquirido carteiras de crédito sem uma auditoria adequada, conforme apontado em reportagens anteriores. Essa falta de transparência e controle, segundo os autores do pedido, configura uma grave violação dos deveres do governador, justificando a medida extrema do impeachment.
Contexto mais amplo e implicações para a política do DF
Este caso ocorre em um momento de intensa polarização política no Distrito Federal, com reflexos nacionais devido à importância estratégica de Brasília. O pedido de impeachment não apenas coloca em xeque a liderança de Ibaneis Rocha, mas também reacende debates sobre a ética na administração pública e os mecanismos de controle sobre instituições estatais como o BRB. A situação pode influenciar as próximas eleições e a dinâmica partidária na região, especialmente com figuras históricas como Cristovam Buarque e Rodrigo Rollemberg retornando ao centro das atenções.
Enquanto isso, a população e os observadores políticos aguardam os desdobramentos, com a expectativa de que as investigações da Polícia Federal e os trâmites legislativos esclareçam os fatos. O caso Master continua a ser um tema quente, destacando a necessidade de maior transparência e responsabilidade nos negócios públicos, em um cenário marcado por acusações cruzadas e incertezas jurídicas.