The Economist sugere que Lula não dispute reeleição e gera críticas no governo
The Economist sobre Lula: reeleição gera críticas no governo

Um editorial da renomada revista britânica The Economist, publicado na última terça-feira de dezembro de 2025, causou forte reação negativa no governo federal e entre aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A publicação sugeriu que o chefe do Executivo, que completará 82 anos em 2026, não deveria buscar a reeleição, argumentando principalmente com sua idade avançada.

Críticas ferrenhas de ministros e aliados petistas

A resposta do núcleo duro do governo e do PT foi imediata e contundente. A ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, foi uma das primeiras a se manifestar, atacando diretamente o que chamou de interesses do mercado financeiro global. Em publicação nas redes sociais no dia 31 de dezembro de 2025, Hoffmann afirmou que o "verdadeiro risco" não é a idade de Lula, mas a continuidade de políticas que, segundo ela, retomaram o crescimento do Brasil e enfrentam injustiças tributárias.

"A revista do sistema financeiro global, dos que fazem fortunas sem produzir nada, prefere que o Brasil volte a ser submetido aos mandamentos do 'mercado'", escreveu a ministra, sugerindo que a preferência da publicação pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, se deve a interesses alheios ao país.

Idade versus projeto político: a defesa do PT

Outras vozes influentes do partido seguiram o mesmo tom. O senador Humberto Costa (PT-PE), próximo a Lula, classificou o editorial como um "grito de desespero de uma direita" que reconhece o crescimento econômico brasileiro mas não teria um nome para competir com o presidente. Ele ainda citou uma previsão do Financial Times sobre uma possível vitória de Lula para contrapor o argumento da The Economist.

Já o presidente nacional do PT, Edinho Silva, foi mais direto ao acusar a revista de preconceito. "Quando falta argumento político, sobra preconceito. Quando falta dado, inventa-se narrativa", declarou. Silva listou conquistas do governo, como o menor desemprego da história e a maior renda média, para rebater a tese da revista e afirmou que o incômodo real seria o projeto de soberania e combate à desigualdade representado por Lula.

Os argumentos da The Economist: idade e riscos

O editorial da publicação britânica, por sua vez, baseou-se em dois pilares principais. O primeiro e mais destacado foi a questão da idade e saúde. A revista traçou um paralelo entre Lula e o ex-presidente americano Joe Biden, que, com 81 anos em 2024, desistiu da reeleição após demonstrar dificuldades cognitivas.

"Lula tem apenas um ano a menos do que Joe Biden tinha no ponto equivalente do ciclo eleitoral de 2024 nos Estados Unidos — que terminou de forma desastrosa", afirmou o texto. Apesar de reconhecer que Lula parece em melhor condição física, a publicação ressaltou que "carisma não é escudo contra o declínio cognitivo" e considerou "arriscado demais" para o Brasil ter alguém tão idoso na Presidência.

O segundo pilar foram os indicadores econômicos. A The Economist reconheceu que os números são positivos, mas os atribuiu a "políticas econômicas medíocres", focadas em transferências de renda e medidas de aumento de arrecadação que seriam "cada vez menos amigáveis aos negócios". A publicação mencionou a aprovação da Reforma Tributária como uma ação que agradou aos empregadores, mas manteve o tom crítico sobre a direção geral da economia.

A repercussão do caso evidencia o clima político aquecido em torno da sucessão presidencial de 2026 e coloca o debate sobre idade e capacidade para o exercício do poder no centro das discussões, muito antes do início oficial da campanha eleitoral.