Uma nova pesquisa eleitoral para as eleições presidenciais de 2026, divulgada nesta quarta-feira (14 de janeiro de 2026), reforça uma análise que já circula entre investidores: a disputa tende a ser definida mais pelos votos contra do que pelos votos a favor. O levantamento Genial/Quaest aponta que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lidera todos os cenários de primeiro e segundo turno, mas o foco do mercado financeiro está na capacidade de a oposição apresentar um nome com menor rejeição e compromisso com o ajuste fiscal.
Liderança de Lula e o dilema da oposição
Nos cenários estimulados pela pesquisa, Lula aparece à frente de todos os adversários testados. Em um possível segundo turno contra o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, a vantagem do presidente é de aproximadamente cinco pontos percentuais. Contra o senador Flávio Bolsonaro, essa diferença é um pouco maior.
Para analistas, o dado mais relevante não é apenas a liderança de Lula, mas o fato de que, mesmo com avaliações negativas sobre a política econômica e o desgaste fiscal, ele se mantém competitivo. Isso ocorre, em grande parte, devido à fragmentação e à alta rejeição que caracterizam o campo oposicionista.
Flávio Bolsonaro tem crescimento, mas esbarra em teto de rejeição
O levantamento mostra um desempenho inicial forte do senador Flávio Bolsonaro no primeiro turno, onde ele supera numericamente Tarcísio de Freitas. Esse movimento é atribuído ao reconhecimento do sobrenome e ao fato de ele já ser um candidato oficialmente lançado.
No entanto, o mercado enxerga um obstáculo considerável: a alta rejeição. Flávio carrega índices próximos a 60% em pesquisas recentes, o que limita severamente seu potencial de crescimento em uma eventual disputa de segundo turno. “O desafio central do Flávio é reduzir a rejeição ao sobrenome Bolsonaro”, avalia Bruno Perri, economista-chefe da Forum Investimentos, citado na análise.
Por que Tarcísio é visto como o nome mais viável pela oposição?
Apesar de aparecer atrás de Flávio Bolsonaro nas intenções de voto para o primeiro turno, o governador Tarcísio de Freitas é considerado por investidores como a alternativa mais competitiva contra Lula em um segundo turno. Os motivos centrais são:
- Menor índice de rejeição em comparação com os Bolsonaro.
- Capacidade percebida de dialogar com eleitores de centro.
- Imagem de gestor pragmático e responsável fiscalmente, construída à frente do governo de São Paulo.
Esses atributos são valorizados em um cenário onde a deterioração das contas públicas preocupa o mercado. Relatórios do Tesouro indicam que a dívida bruta do Brasil pode ultrapassar 85% do Produto Interno Bruto (PIB) já em 2027.
O voto de veto e os temas decisivos de 2026
Especialistas alertam que a eleição de 2026 corre o risco de repetir a lógica de 2022, sendo definida pela rejeição mútua entre os candidatos. Nesse contexto, nomes menos polarizadores ganham força não por gerarem grande entusiasmo, mas por serem vistos como “a opção menos rejeitada”.
Para o mercado financeiro, dois temas devem dominar o debate eleitoral e serão cruciais para a decisão do voto:
- Ajuste fiscal e controle da dívida pública: A partir de 2027, os gastos obrigatórios devem engessar o orçamento, tornando inevitável um debate difícil sobre reformas e controle de despesas.
- Segurança pública: Um tema perene na agenda nacional.
O candidato que conseguir transmitir credibilidade política para enfrentar esses desafios, sem carregar uma rejeição intransponível, sairá na frente. Por enquanto, a pesquisa Genial/Quaest confirma a liderança de Lula, mas deixa claro que o jogo na oposição, especialmente à direita, segue completamente aberto. Uma conclusão, porém, parece consolidada entre os investidores: em 2026, o voto continuará sendo, acima de tudo, um voto de veto.