Flávio Bolsonaro enfrenta ceticismo e alta rejeição na corrida presidencial de 2026
Flávio Bolsonaro tem alta rejeição e ceticismo na política

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) enfrenta um cenário de incertezas e ceticismo generalizado em sua jornada rumo ao Palácio do Planalto para as eleições de 2026. Desde que foi anunciado como o escolhido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro para herdar a bandeira da família na disputa, há pouco mais de um mês, o filho primogênito tem realizado uma verdadeira maratona política. Ele se reuniu com caciques do Centrão, empresários em São Paulo, ex-ministros do governo anterior e líderes religiosos, mas os resultados têm sido considerados modestos.

Alta rejeição e o desafio de expandir o eleitorado

Apesar do sobrenome de peso e de uma base fiel de apoiadores, obstáculos significativos aparecem no caminho de Flávio. Uma pesquisa Genial/Quaest, realizada em dezembro, ilustra o tamanho do desafio: em um segundo turno hipotético contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Flávio teria 36% das intenções de voto, contra 46% do atual mandatário. O percentual é similar ao de outros nomes da direita, como os governadores Tarcísio de Freitas (SP) e Ratinho Junior (PR).

No entanto, o dado mais alarmante para a estratégia do senador é a rejeição de 60% do eleitorado, taxa idêntica à do pai e superior à de Lula (54%) e dos outros pré-candidatos. "Começar com tanta rejeição é um desafio e mostra que pode ter um teto para o crescimento dele", avalia Márcia Cavallari, diretora do Ipsos-Ipec. Especialistas apontam que o cansaço com a polarização Lula x Bolsonaro e o passivo reputacional de Flávio, incluindo suspeitas do caso da rachadinha e relações com milicianos, contribuem para esse índice.

Isolamento político e discurso que afasta o centro

A rejeição do eleitorado se reflete no campo político. Partidos fundamentais para a construção de uma ampla frente de direita, como PP, PSD, União Brasil e Republicanos, ainda não abraçaram sua candidatura. O presidente do PP, senador Ciro Nogueira, já sinalizou que um apoio dependeria da demonstração de viabilidade eleitoral e aconselhou Flávio a moderar seu discurso e buscar o centro político, visto como decisivo na eleição.

Contudo, sinais recentes indicam o caminho oposto. Em viagem aos Estados Unidos, Flávio sinalizou que poderia indicar o irmão, Eduardo Bolsonaro, para o Itamaraty, deu entrevista a um influenciador próximo aos extremos e repetiu ataques às urnas eletrônicas e ao Supremo Tribunal Federal (STF). Seu discurso público tem se limitado, em grande parte, a promessas de dar continuidade ao trabalho do ex-ministro Paulo Guedes e a um "tesouraço" em gastos, sem uma agenda própria bem definida, o que aliados reconhecem como um desafio a ser superado.

Busca por alternativas e a sombra de Tarcísio

Diante das fragilidades da candidatura de Flávio Bolsonaro, cresce a inquietação no Centrão e em setores da direita não bolsonarista em busca de um nome alternativo. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, segue sendo o mais cobiçado. Preferido do mercado financeiro, do agronegócio e do empresariado, Tarcísio tem uma rejeição 13 pontos percentuais menor que a de Flávio e poderia contar com o apoio de uma ampla base partidária.

Enquanto Tarcísio não se manifesta definitivamente, outros nomes começam a ser especulados como plano B ou C, incluindo o governador do Paraná, Ratinho Junior, a senadora Tereza Cristina (PP-MS) e, em um movimento de desespero de alguns setores, até o apresentador de TV Luciano Huck, conforme revelado pelo deputado Paulinho da Força, presidente do Solidariedade.

Pressão do tempo e futuro incerto

A corrida contra o tempo é outro fator de pressão. Até o dia 2 de abril de 2026, governadores como Tarcísio e Ratinho Junior precisarão deixar seus cargos se decidirem concorrer à Presidência. Até lá, Flávio Bolsonaro terá que transformar o ceticismo em apoio concreto. Nos bastidores, há ainda a incógnita sobre o envolvimento da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que não tem participado da campanha do enteado, e a percepção no entorno de Lula de que Flávio seria um adversário mais fácil de ser derrotado.

A insistência pública do senador em afirmar a viabilidade de sua candidatura e que não desistirá é, paradoxalmente, interpretada por analistas como mais uma prova de sua fragilidade política atual. O caminho até outubro de 2026 promete ser longo e cheio de obstáculos para o herdeiro político da família Bolsonaro.