Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiram com tranquilidade à recente melhora do senador Flávio Bolsonaro nas pesquisas de intenção de voto para a Presidência da República. Segundo avaliações compartilhadas no Palácio do Planalto, o crescimento do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro estava dentro do esperado e já era monitorado pelo governo.
Os números da pesquisa e a reação do Planalto
O levantamento da Genial/Quaest, divulgado na última quarta-feira, 14 de janeiro de 2026, coloca Lula na liderança com 36% das intenções de voto. Em segundo lugar aparece Flávio Bolsonaro, que soma 23%, consolidando sua posição como principal nome da oposição. Em uma simulação de segundo turno, o petista venceria o bolsonarista por 45% a 38%.
Fontes próximas ao presidente, ouvidas pelo colunista Marcelo Ribeiro, do Radar, afirmam que o resultado não causa preocupação imediata no governo. A avaliação é que Lula mantém uma vantagem considerada confortável sobre o adversário. A leitura predominante é que a ascensão de Flávio era um movimento natural, à medida que ele se firma como o candidato de seu campo político.
A projeção para o futuro e o "fantasma" Tarcísio
Integrantes do governo acreditam que a tendência é de que Flávio Bolsonaro cresça ainda mais em pesquisas futuras, caso confirme sua candidatura. No entanto, eles também projetam um limite para esse crescimento. Esse teto estaria diretamente ligado à sombra do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.
Tarcísio é visto pelo Centrão como o "candidato dos sonhos" e sua possível entrada na disputa é tratada como um "fantasma que pode se lançar ao Planalto a qualquer momento". Enquanto essa incerteza persistir, avalia o núcleo político de Lula, o espaço de Flávio para avançar será limitado.
O cenário com a definição de Tarcísio
Os interlocutores do presidente projetam que, no momento em que Tarcísio de Freitas decidir não ser candidato, anunciando a busca pela reeleição ao governo paulista e passando a apoiar ativamente a campanha de Flávio Bolsonaro, o senador deverá ganhar um novo impulso. Nesse cenário, é esperado que ele avance mais alguns pontos percentuais, consolidando-se de vez como a principal alternativa à reeleição de Lula.
A postura do Planalto, portanto, é de monitoramento cauteloso. Apesar de reconhecerem o crescimento do adversário, os aliados de Lula enxergam o movimento como previsível e acreditam que a dinâmica da disputa ainda tem muitas variáveis a se desenrolar, com a indefinição sobre Tarcísio sendo a principal delas.