Ex-ministro de Bolsonaro anuncia saída do PL para disputar vaga no Senado por Pernambuco
Gilson Machado, conhecido como ministro-sanfoneiro e ex-titular da pasta do Turismo no governo de Jair Bolsonaro, formalizou nesta quarta-feira, 21 de janeiro de 2026, sua desfiliação do Partido Liberal (PL). O movimento político tem como objetivo claro viabilizar sua candidatura a uma vaga no Senado Federal por Pernambuco nas eleições de outubro de 2026.
Lealdade inabalável a Bolsonaro marca anúncio de desfiliação
Em comunicado divulgado à imprensa e em suas redes sociais, Machado foi enfático ao afirmar: Troco de partido, mas não de lado. O ex-ministro reafirmou sua inabalável lealdade ao ex-presidente Jair Bolsonaro e ao senador Flávio Bolsonaro, destacando que a decisão foi tomada com consciência tranquila após cumprir seus deveres como cidadão e gestor público.
Machado ressaltou que sua relação com Bolsonaro não é meramente circunstancial, mas sim uma parceria sólida baseada em confiança, valores compartilhados e projetos comuns para um Brasil melhor. Ele deixou claro que continua sendo o nome defendido por Bolsonaro para a disputa senatorial em Pernambuco, embora não tenha recebido o aval da direção estadual do PL.
Conflito interno no PL e restrições judiciais influenciam decisão
A saída de Gilson Machado do Partido Liberal ocorre em um contexto de intensa disputa interna na legenda em Pernambuco. O diretório estadual é comandado pelo ex-deputado Anderson Ferreira, autor do estatuto da família e que também aspira a uma candidatura ao Senado pelo PL. Analistas políticos avaliam que o estado, de perfil majoritariamente lulista, dificilmente elegeria dois senadores bolsonaristas ou conservadores.
Enquanto Machado sempre contou com o apoio explícito de Jair Bolsonaro, Ferreira possui o respaldo do presidente nacional do PL, Valdemar da Costa Neto, e detém o poder de decidir sobre as candidaturas lançadas pelo partido no estado. Essa divergência de forças dentro da legenda tornou inviável a permanência do ex-ministro.
Além dos embates partidários, Machado enfrenta restrições judiciais significativas. Ele foi preso em 2025 por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), sob suspeita de articular uma fuga do país para Jair Bolsonaro. Embora tenha sido liberado, o ex-ministro segue impedido de sair da cidade do Recife, o que o obrigou a comunicar sua decisão de desfiliação por meio de intermediários.
Próximos passos e articulação política para 2026
Em sua carta, Machado explicou que, devido às limitações de deslocamento, não pude comunicar pessoalmente minha decisão ao presidente Jair Bolsonaro. No entanto, a medida foi discutida com Flávio Bolsonaro e Renato Bolsonaro, irmão do ex-presidente, que compreenderam que este novo passo fortalece nosso projeto político para 2026.
O anúncio marca um capítulo importante na trajetória política do ex-ministro, que agora buscará uma nova legenda para formalizar sua candidatura ao Senado. Sua estratégia parece clara: manter-se alinhado aos ideais bolsonaristas enquanto navega pelas complexidades do cenário político pernambucano e nacional.
Especialistas apontam que a movimentação de Machado reflete as tensões e realinhamentos em curso dentro da base bolsonarista, especialmente em estados onde a disputa por espaços eleitorais é acirrada. A eleição de 2026 promete ser um campo de batalha intenso, com figuras como Gilson Machado desempenhando papéis-chave na articulação de forças.