Caiado nega desistência e afirma sintonia com ACM Neto na corrida presidencial de 2026
Caiado reafirma candidatura à Presidência e nega briga com ACM Neto

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, rechaçou com veemência os boatos de que estaria reconsiderando sua pré-candidatura à Presidência da República nas eleições de 2026. Em declarações exclusivas à revista VEJA nesta sexta-feira, 2 de janeiro de 2026, o político do União Brasil afirmou que mantém seus planos intactos para a disputa pelo Planalto.

União no partido e almoço na Bahia

Questionado especificamente sobre supostos atritos internos no União Brasil, envolvendo seu grupo e o do vice-presidente nacional da legenda, ACM Neto, Caiado foi taxativo. Ele negou a existência de qualquer conflito e usou um encontro recente para ilustrar a harmonia. "Pelo contrário, Neto e eu estamos cem por cento sintonizados", garantiu o governador, revelando que ambos almoçaram juntos no último dia 28 de dezembro, na Bahia, "sem nenhuma divergência".

Além de reforçar sua própria posição, Caiado também comentou os planos eleitorais da família. Ele confirmou que a primeira-dama de Goiás, Gracinha Caiado, segue firme em sua pretensão de concorrer a uma vaga no Senado Federal nas eleições de outubro.

O delicado xadrez do União Brasil para 2026

Apesar das declarações públicas de unidade, a viabilidade da candidatura de Ronaldo Caiado ainda é um ponto de interrogação no tabuleiro político. A janela para registrar as candidaturas na Justiça Eleitoral só abre em agosto, deixando um longo período para articulações nos bastidores.

Especula-se que o União Brasil, que atua em federação partidária com o PP, possa optar por uma estratégia diferente. A avaliação interna é de que uma campanha própria teria poucas chances de decolar nacionalmente. A alternativa em discussão seria abrir mão de um nome próprio e articular uma chapa do chamado Centrão, possivelmente liderada pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, do Republicanos.

Tarcísio aparece com maior musculatura nas pesquisas de intenção de voto entre os governadores alinhados ao bolsonarismo, sendo apontado como o nome mais forte desse campo para um eventual segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Planos B e sucessão em Goiás

Caso a relação com a cúpula do União Brasil efetivamente esfrie e a candidatura presidencial não se concretize, Ronaldo Caiado tem um plano de reserva. Pelo calendário eleitoral, ele terá até abril para tomar uma decisão crucial: permanecer no partido ou buscar uma nova aliança para disputar o Senado.

Esse movimento seria necessário porque, após oito anos à frente do Palácio das Esmeraldas, Caiado não pode concorrer à reeleição para o governo de Goiás. Sua aposta para a sucessão estadual recai sobre o atual vice-governador, Daniel Vilela, do MDB.

Enquanto isso, o governador mantém o discurso público de tranquilidade e foco no projeto nacional. "Quanto à minha candidatura, continuo com a mesma programação", reiterou, tentando afastar qualquer sombra de dúvida sobre sua ambição de chegar ao cargo máximo da República.