O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, lançou duras críticas ao agora ex-ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, nesta sexta-feira, 10 de janeiro de 2026. Em declarações à imprensa, o líder goiano acusou o ex-auxiliar do presidente Lula de ter "maculado sua trajetória ao desrespeitar a Constituição" durante sua passagem pela pasta.
O cerne da controvérsia: novas condicionantes para recursos
A ira de Caiado direciona-se a uma medida implementada por Lewandowski antes de sua saída do ministério, ocorrida nesta semana por motivos pessoais. A norma estabelece novas regras para o repasse de recursos federais destinados a estados e municípios na área de segurança pública.
Segundo a determinação, a transferência de verbas do Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP), do Fundo Penitenciário Nacional e de emendas parlamentares agora está condicionada ao cumprimento de diretrizes impostas pela União. Na prática, os entes federados precisarão seguir essas novas regras para receber os recursos.
Reação veemente e ameaça de ação no Congresso
Para o governador, essa ação representa uma invasão de competência e um ataque ao pacto federativo. "Isso é absurdo", disparou Caiado. Ele não poupou palavras ao classificar o governo federal como "complacente, conivente, parceiro das facções e do crime no nosso país" devido a essa política.
Caiado expressou confiança de que a medida não prosperará. "Acredito que o Congresso Nacional derrubará essa medida por meio de um Projeto de Decreto Legislativo. Ele (Lewandowski) não tem prerrogativa para isso", afirmou o governador, sinalizando uma batalha política que se deslocará para o Legislativo.
Impacto direto na gestão estadual da segurança
A crítica central de Ronaldo Caiado reside na percepção de que as novas condicionantes buscam retirar dos governadores a autoridade sobre as diretrizes gerais da segurança pública em seus próprios estados. Na visão do goiano, a Constituição atribui aos entes federados essa autonomia, e a medida do Ministério da Justiça violaria esse princípio.
A polêmica surge em um momento de reavaliação das políticas de segurança e destaca a tensão permanente entre União, estados e municípios sobre o comando e o financiamento das ações de combate ao crime. O episódio marca o legado da breve passagem de Lewandowski pela Justiça e promete acirrar os debates sobre federalismo e gestão da segurança pública no país.