O Líbano e Israel realizarão uma nova rodada de negociações nos dias 14 e 15 de maio em Washington, na tentativa de alcançar um acordo de paz, mesmo diante de novos ataques israelenses contra o Hezbollah. A informação foi confirmada por um funcionário do Departamento de Estado dos Estados Unidos, que falou sob condição de anonimato, nesta quinta-feira, 7 de maio.
Posição libanesa exige retirada israelense
O primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, afirmou na quarta-feira, 6, que seria “prematuro” discutir qualquer reunião de alto nível. Em declarações divulgadas pela agência estatal libanesa, Salam destacou que qualquer avanço nas negociações dependerá de um fortalecimento da trégua. Segundo ele, o foco imediato deve ser garantir estabilidade no terreno antes de discutir encontros políticos de maior peso.
O premiê também estabeleceu um cronograma claro para que tropas israelenses deixem o sul do país, condição que considera mínima para a retomada das conversas. “Nossa demanda básica é um calendário para a retirada de Israel”, afirmou Salam.
O presidente libanês, Joseph Aoun, compartilha dessa posição e indicou que “não é o momento adequado” para uma reunião com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu. Para Aoun, um acordo de segurança e o fim dos ataques também são pré-requisitos para qualquer encontro entre líderes.
Articulação dos EUA e o papel de Trump
O presidente americano, Donald Trump, havia mencionado a possibilidade de sediar um encontro entre líderes dos dois países, apesar do impasse e dos confrontos na fronteira sul libanesa, que ocorrem mesmo com um cessar-fogo nominal. No mês passado, Trump afirmou ver uma “grande chance” de um acordo de paz ainda neste ano e disse esperar receber Aoun e Netanyahu na Casa Branca em breve.
Nawaf Salam afirmou que o Líbano não buscava “a normalização das relações com Israel, mas sim alcançar a paz”. Washington já sediou, no mês passado, dois encontros entre os embaixadores de Israel e do Líbano nos Estados Unidos.
O Hezbollah, milícia libanesa apoiada pelo Irã, que tem força própria no país, se opõe veementemente a esses contatos diplomáticos.
Confrontos continuam apesar do cessar-fogo
Apesar de um cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos anunciado em abril, os combates seguem intensos no sul do Líbano. Israel estabeleceu uma “zona de segurança” que avança 10 quilômetros adentro do território libanês, alegando necessidade de proteger suas comunidades no norte israelense contra ataques do Hezbollah.
Nesta quinta-feira, as forças israelenses voltaram a bombardear o sul do Líbano, depois de terem atacado na véspera um comandante do grupo armado pró-Irã no subúrbio sul de Beirute. Também na quarta-feira, um ataque aéreo matou quatro libaneses na cidade de Zelaya, incluindo duas mulheres e um idoso, segundo o Ministério da Saúde do Líbano. O Exército israelense afirmou que foi uma resposta ao Hezbollah pelo lançamento de drones explosivos e foguetes contra suas tropas, que deixou dois soldados feridos.
Desde o início do conflito, em março, mais de 2.700 pessoas morreram no Líbano, de acordo com dados oficiais. Do lado israelense, ao menos 17 militares e dois civis foram mortos, enquanto centenas de projéteis foram disparados contra o país.



