O debate sobre o fim da escala 6x1 ganha destaque no mercado de trabalho brasileiro. Embora muitos contratos ainda mantenham essa jornada, a percepção dos trabalhadores já mudou, segundo o consultor em cultura organizacional Diego Rondon. Ele avalia que a produtividade deixou de ser medida apenas pelo número de horas dentro da empresa, passando a focar na entrega de resultados.
Mudança na mentalidade dos trabalhadores
Rondon observa que os empresários estão buscando formas de se adaptar a essa nova lógica. “Muitos gestores passam o dia em atividades pouco produtivas, como cafés, pausas e reuniões improdutivas. O conceito de permanência no trabalho já não garante resultado”, afirmou em entrevista ao programa Mercado de VEJA+. A dificuldade crescente de contratação reflete que os trabalhadores passaram a exigir mais flexibilidade.
Experiências internacionais de redução de jornada
O consultor cita exemplos de países que adotaram semanas de quatro dias de trabalho. Essas experiências mostraram manutenção ou até aumento da produtividade, redução no turnover e maior atração de talentos. Para Rondon, o “tempo” se tornou um ativo tão importante quanto o salário, especialmente para as novas gerações.
Impacto do deslocamento e da pandemia
O tempo gasto no transporte público, muitas vezes superior a duas horas diárias, é agora percebido como parte da jornada de trabalho. A pandemia acelerou essa mudança ao permitir que milhões de pessoas experimentassem os benefícios do trabalho remoto, valorizando ainda mais a flexibilidade.
Essa transformação no mercado de trabalho sinaliza que as empresas precisam repensar suas práticas para atrair e reter talentos, especialmente em um cenário de desemprego em mínimas históricas. A escala 6x1, embora ainda exista, perde força na preferência dos trabalhadores, que buscam equilíbrio entre vida pessoal e profissional.



