Kiev tem mais de mil prédios sem luz e aquecimento após ataques russos
Mais de mil prédios sem luz em Kiev no inverno

A capital ucraniana, Kiev, enfrenta uma situação crítica neste quarto inverno de guerra. Mais de mil edifícios residenciais permanecem sem aquecimento e energia elétrica após um massivo ataque russo à infraestrutura energética do país, realizado na madrugada de sexta-feira, 9 de janeiro de 2026.

Frio extremo agrava crise humanitária

O ataque ocorreu no momento mais inoportuno: no auge de uma forte onda de frio que castiga a região. As temperaturas em Kiev já despencaram para -12°C e a previsão indica que podem chegar a marcas extremas de -20°C nos próximos dias. Sem energia, os moradores ficam também sem os aquecedores essenciais para sobreviver ao rigoroso inverno europeu.

O presidente Volodymyr Zelensky afirmou que as equipes de emergência trabalham sem parar, mas admitiu que a situação segue "extremamente difícil". Cerca de 200 equipes atuam na capital e na região metropolitana com o objetivo principal de restabelecer o fornecimento para todos os prédios atingidos.

Estratégia russa de atacar no inverno

Zelensky fez uma grave acusação contra o Kremlin, afirmando que Moscou "esperou deliberadamente" a chegada do frio extremo para intensificar os bombardeios contra o sistema energético. O objetivo, segundo o líder ucraniano, é aumentar deliberadamente o sofrimento da população civil.

Os números apresentados são assustadores: somente na última semana, a Rússia teria lançado aproximadamente 1.100 drones, mais de 890 bombas aéreas guiadas e mais de 50 mísseis de diferentes tipos contra alvos ucranianos. A primeira-ministra Yulia Svyrydenko detalhou que 44 ataques contra instalações energéticas e infraestrutura crítica foram registrados no mesmo período.

Resposta e cenário para os próximos dias

As autoridades conseguiram progressos parciais. Parte do abastecimento de água, energia elétrica e aquecimento foi restabelecida em Kiev, mas os serviços permanecem instáveis e sujeitos a novas interrupções. Enquanto os reparos avançam, a população tem buscado refúgio em Pontos de Invencibilidade – abrigos aquecidos e postos de assistência humanitária espalhados pela cidade.

O prefeito Vitali Klitschko alertou que o quadro permanece grave. Apesar dos esforços, a normalização completa do fornecimento em Kiev ainda deve levar alguns dias, um prazo angustiante diante da persistência das temperaturas negativas. A guerra de infraestrutura, iniciada pela Rússia desde a invasão de 2022, atinge seu ponto mais cruel justamente quando a população mais precisa de calor e luz para sobreviver.