Prefeito e primeira-dama de Turilândia prestam depoimento sobre desvio de R$ 56,3 milhões
Prefeito e primeira-dama depõem sobre desvio de R$ 56 mi no MA

O prefeito de Turilândia, Paulo Curió (União Brasil), e a primeira-dama Eva Curió prestaram depoimento nesta terça-feira (6) ao Ministério Público do Maranhão (MP-MA). Eles são investigados por suposta participação em um esquema de corrupção que teria desviado mais de R$ 56,3 milhões dos cofres públicos do município, localizado no interior do estado.

Interrogatórios em andamento no MP-MA

Os depoimentos do casal fazem parte de uma série de oitivas que começaram na segunda-feira (5) e seguem até quarta-feira (7). O prefeito foi ouvido às 9h, e a primeira-dama às 9h30. Até o momento, apenas uma pessoa, Gerusa de Fátima Nogueira Lopes, chefe do Setor de Compras, prestou declarações e negou envolvimento no caso.

Os outros cinco investigados que já passaram pelo MP-MA exerceram o direito de permanecer em silêncio. Entre eles estão um médico neurocirurgião acusado de agiotagem, a pregoeira do município, o contador municipal, a ex-vice-prefeita Janaína Soares Lima e seu marido. Janaína é apontada como controladora do Posto Turi, empresa que teria recebido mais de R$ 17 milhões do município entre 2021 e 2025.

Esquema milionário e prisões em série

A investigação, batizada de Operação Tântalo II, apura uma organização criminosa estruturada que atuava dentro da Prefeitura e da Câmara Municipal de Turilândia. O grupo desviava recursos, principalmente das pastas da Saúde e Assistência Social, por meio de empresas fictícias.

O esquema levou à prisão do prefeito Paulo Curió, da vice-prefeita Tânia Mendes e de todos os 11 vereadores da cidade. Atualmente, o prefeito, a vice e a primeira-dama estão detidos no Complexo Penitenciário de Pedrinhas, em São Luís. Os vereadores cumprem prisão domiciliar.

Com a vacância dos cargos do Executivo, o presidente da Câmara, José Luís Araújo Diniz, "Pelego", assumiu interinamente a prefeitura, mesmo estando sob investigação e em prisão domiciliar. A decisão foi baseada na Lei Orgânica do município.

Papéis no esquema e próximos passos

Segundo o MP-MA, o prefeito Paulo Curió era a liderança da organização e destinatário final de grande parte dos valores. Ele atuava ordenando despesas, direcionando licitações e autorizando pagamentos sem comprovação de serviços. A vice-prefeita Tânia Mendes integrava o núcleo operacional, dando aparência de legalidade às contratações.

Após a conclusão dos depoimentos, o Ministério Público irá confrontar as declarações com as provas já colhidas e deve formalizar a denúncia contra os investigados. As oitivas foram remarcadas do dia 29 de dezembro a pedido da defesa, que alegou não ter tido acesso ao processo durante o recesso.

A situação em Turilândia expõe uma grave crise na administração pública, com a cúpula do Executivo e todo o Legislativo municipal envolvidos em investigações por corrupção, fraude, peculato e lavagem de dinheiro.