Presidente do RioPrevidência renuncia após operação da PF sobre desvios no Banco Master
A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta sexta-feira (22), a Operação Barco de Papel, que investiga suspeitas de gestão fraudulenta, desvio de dinheiro e corrupção no fundo de previdência dos servidores do estado do Rio de Janeiro. As apurações concentram-se em investimentos realizados no Banco Master, instituição financeira que oferecia títulos de alto risco.
Renúncia e mandados de busca
No meio da tarde, o presidente do RioPrevidência, Deivis Marcon Antunes, principal alvo da investigação, apresentou sua renúncia ao cargo. A exoneração foi publicada em edição extra do Diário Oficial do estado ainda na sexta-feira (23). Em carta dirigida ao governador Cláudio Castro, Antunes afirmou que "sempre agiu com espírito público, correção e dentro dos mais elevados preceitos éticos".
Os agentes federais cumpriram quatro mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao presidente e a outros dois ex-diretores do fundo. Deivis Marcon Antunes não foi localizado, pois viajou para os Estados Unidos no dia 15 de janeiro. Sua defesa alegou que a viagem era de férias e que a passagem havia sido adquirida em novembro.
Investigações e riscos aos servidores
As investigações da Polícia Federal focam em nove aplicações financeiras realizadas entre 2023 e 2024, que totalizaram quase R$ 1 bilhão em letras financeiras do Banco Master. Esses títulos, considerados de alto risco e sem cobertura do fundo garantidor de crédito, colocaram em perigo o dinheiro das aposentadorias e pensões de aproximadamente 235 mil servidores públicos fluminenses.
As suspeitas incluem:
- Gestão fraudulenta de recursos
- Desvio de dinheiro
- Fraude à fiscalização
- Associação criminosa
- Corrupção passiva
A PF iniciou as investigações em novembro de 2025, após auditoria do Ministério da Previdência Social. O Tribunal de Contas do Estado do Rio já monitorava os aportes há mais de um ano e, em outubro de 2025, proibiu novos investimentos em títulos administrados pelo Banco Master, alertando para possível gestão irresponsável.
Outros estados e garantias de pagamento
Além do Rio de Janeiro, institutos de previdência do Amazonas, do Amapá e de 15 municípios brasileiros também aplicaram recursos no Banco Master. O fundo fluminense, no entanto, foi o que mais investiu na instituição.
Em comunicado, o RioPrevidência assegurou que o pagamento das aposentadorias e pensões está garantido, mencionando uma decisão judicial que determinou a retenção dos R$ 970 milhões para proteger o patrimônio dos servidores. O Amazonas afirmou que seus investimentos no Master representam menos de 0,5% do total de aplicações e garantiu recursos para honrar os pagamentos. Já o Amapá declarou que seus R$ 400 milhões aplicados não representam risco ao fundo.
Contexto e próximos passos
A operação Barco de Papel faz uma alusão direta aos investimentos oferecidos pelo Banco Master: atrativos e fáceis, mas que se desfazem rapidamente, como um barco de papel. A PF também esteve na casa de Eucherio Lerner Rodrigues, ex-diretor de investimentos do RioPrevidência, e de Pedro Pinheiro Guerra Leal, ex-diretor interino, além da sede do fundo.
Eucherio Lerner Rodrigues, um dos investigados, já havia declarado em tribunal que não se arrependia dos investimentos realizados. As investigações continuam, com a Polícia Federal analisando documentos apreendidos e aprofundando as apurações sobre as transações financeiras suspeitas.