Trump cancela diálogo com Irã e incita protestos: 'Tomem as instituições'
Trump cancela diálogo com Irã e incita protestos

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou uma guinada radical na política externa americana em relação ao Irã nesta terça-feira, 13 de janeiro de 2026. Ele declarou o cancelamento de todas as negociações com as autoridades iranianas e, em um post inflamado nas redes sociais, incitou a população do país a "tomar as instituições" nacionais.

Uma ameaça direta e uma mudança de postura

A declaração foi feita através da Truth Social, plataforma digital do ex-presidente. Em sua mensagem, escrita em letras maiúsculas, Trump dirigiu-se aos "patriotas iranianos", pedindo que continuem os protestos e identifiquem os "assassinos e abusadores". A mensagem foi encerrada com uma adaptação de seu famoso slogan: "MIGA" (Make Iran Great Again).

O anúncio representa uma reviravolta completa em relação à posição indicada no domingo, 11 de janeiro, quando Trump havia sinalizado abertura para um diálogo. Agora, a Casa Branca deixa claro que a opção militar está sobre a mesa. A porta-voz presidencial afirmou que ataques aéreos estão entre as "muitas opções" consideradas pelo governo americano para responder à violenta repressão aos manifestantes.

O contexto da crise iraniana

A onda de protestos no Irã, que começou em 28 de dezembro, transformou-se em um dos maiores desafios ao regime teocrático desde a Revolução Islâmica de 1979. O estopim foi a degradação econômica acelerada e o colapso do rial, a moeda local, mas as manifestações rapidamente passaram a incluir cantos por liberdades sociais e políticas e pedidos pelo fim da ditadura.

A repressão tem sido brutal. Segundo estimativas de organizações não governamentais, quase 700 pessoas já morreram nos confrontos. Um membro do próprio regime iraniano, em declaração à Reuters, elevou esse número para cerca de 2.000 mortos desde o início dos protestos, culpando "terroristas" pela escalada da violência.

No entanto, o alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, rejeitou essa narrativa. Nesta terça-feira, ele descartou a presença de terroristas nas manifestações e condenou as forças de segurança iranianas pelo que chamou de "ciclo de violência horrível".

Consequências e reações internacionais

A guinada de Trump isola ainda mais o Irã no cenário internacional e aumenta a tensão em uma região já instável. O governo de Teerã, por sua vez, acusa Estados Unidos e Israel de fomentarem os protestos para desestabilizar o país. Paralelamente, tenta acalmar a população prometendo diálogo sobre a crise econômica e organizando atos de apoio ao regime.

O cancelamento do diálogo pelos EUA ocorre justamente um dia após o Irã afirmar que havia aberto negociações com Washington. A reunião de autoridades de segurança nacional americana, marcada para esta terça-feira, deve definir os próximos passos, que podem ir desde sanções mais duras até a temida ação militar direta.

Enquanto isso, a economia iraniana continua em colapso, e a insatisfação popular atinge níveis históricos, indicando que a crise está longe de uma solução pacífica. O mundo observa com apreensão os desdobramentos de um conflito que pode redesenhar o equilíbrio de poder no Oriente Médio.