Trump aceita cessar-fogo de duas semanas na guerra EUA-Israel contra Irã após ameaças
Trump aceita cessar-fogo após ameaçar destruir Irã

Presidente americano recua após ameaças genocidas e aceita trégua mediada pelo Paquistão

Após declarar que "uma civilização inteira morrerá nesta noite" e ameaçar destruir completamente a infraestrutura civil do Irã, o ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump surpreendeu ao recuar novamente nesta terça-feira (7). Ele aceitou uma proposta feita pelo governo do Paquistão para um cessar-fogo de duas semanas na guerra iniciada em 28 de fevereiro pelos Estados Unidos e Israel contra a teocracia iraniana.

Prazo para reabertura de Hormuz é adiado pela quinta vez

Com essa decisão, o prazo para que o Irã reabra o estratégico Estreito de Hormuz para o trânsito de aproximadamente 20% do petróleo e gás natural liquefeito do mundo foi adiado pela quinta vez consecutiva. O anúncio ocorreu menos de uma hora antes da expiração do ultimato que Trump havia estabelecido para que Teerã aceitasse suas condições, sob ameaça de destruir pontes e usinas de energia do país "em quatro horas", conforme declarado na véspera.

O regime dos aiatolás inicialmente rejeitou a proposta por considerar que sugeria apenas uma trégua temporária, e não uma solução definitiva para o conflito que já dura mais de cinco semanas. No entanto, as negociações indiretas mediadas pelo Paquistão continuaram, resultando no pedido de mais duas semanas apresentado pelo primeiro-ministro paquistanês Shehbaz Sharif, que também sugeriu a reabertura de Hormuz durante esse período.

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Estratégia de Trump é criticada internacionalmente

A decisão reafirma o que analistas chamam de "TACO" (Trump Sempre Amarela, nas iniciais em inglês), referindo-se à tendência do ex-presidente de elevar ameaças ao extremo para depois recuar. Trump passou o dia sob intensas críticas por sua frase com "tintas genocidas", que foi condenada até mesmo por aliados tradicionais dos Estados Unidos.

No fim de semana anterior, o republicano havia publicado uma postagem inédita para um ex-presidente americano, repleta de palavrões e insultos aos iranianos. Na segunda-feira (6), ele afirmou que poderia destruir o Irã em uma única noite, e na terça-feira suas declarações assumiram tons de extermínio tão graves que até o papa Leão 14, primeiro pontífice americano, as condenou publicamente.

Conflito continua apesar da trégua negociada

Enquanto as negociações diplomáticas avançavam, todos os beligerantes elevaram a temperatura militar do conflito para se posicionarem melhor nas futuras conversas:

  • Estados Unidos atacaram alvos militares na estratégica ilha de Kharg, origem de 90% do petróleo iraniano, e deslocaram 5.000 fuzileiros navais para a região
  • Israel realizou ataques inéditos a ferrovias civis iranianas, matando pelo menos duas pessoas, e atingiu uma petroquímica em Shiraz
  • Irã retaliou atacando um complexo similar na Arábia Saudita e advertiu que empregaria mísseis e drones contra o sistema energético do Golfo Pérsico

Os iranianos também atacaram um petroleiro perto de Omã, edifícios no Kuwait e nos Emirados Árabes Unidos, onde duas pessoas foram mortas, e continuaram os bombardeios noturnos contra vizinhos da região. A rotina de ataques a Israel seguiu com drones e mísseis disparados a partir de bases houthis no Iêmen e do Líbano, onde posições do Hezbollah também foram atacadas pelo Estado judeu.

Contexto geopolítico complexo

Apesar do poderio militar superior, os Estados Unidos não possuem recursos suficientes para assegurar o trânsito seguro de petroleiros pelo Estreito de Hormuz. Nesta mesma terça-feira, os aliados de Teerã, Rússia e China, vetaram uma resolução no Conselho de Segurança da ONU que abriria caminho para uma operação legal com esse objetivo específico.

O ataque iraniano à Arábia Saudita complicou ainda mais as negociações mediadas pelos paquistaneses, que mantêm um acordo militar com o reino desértico. No entanto, aparentemente não foi suficiente para impedir Trump de aceitar o novo adiamento do prazo para reabertura do vital estreito marítimo.

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A teocracia persa, que já demonstrou enorme capacidade adaptativa frente às pressões internacionais, insistiu em que não pode negociar sob bombardeios constantes, embora estivesse implicitamente disposta a ceder conforme o curso das negociações mediadas pelo Paquistão sugeria.