Tratores israelenses demolindo sede da UNRWA em Jerusalém Oriental geram condenação internacional
Tratores israelenses demolem sede da UNRWA em Jerusalém Oriental

Tratores israelenses iniciam demolição da sede da UNRWA em Jerusalém Oriental

Nesta terça-feira (20), tratores israelenses começaram a demolir estruturas na sede da Agência das Nações Unidas para Refugiados Palestinos (UNRWA) em Jerusalém Oriental. O incidente ocorreu após meses de tensões entre Israel e a agência da ONU, com autoridades israelenses alegando que o local não gozava de imunidade diplomática.

Acusações israelenses contra a UNRWA

O Ministério das Relações Exteriores de Israel emitiu um comunicado afirmando que a UNRWA havia cessado suas operações no complexo e não realizava mais atividades das Nações Unidas ali. Israel acusa repetidamente a agência de ser uma fachada para milicianos do Hamas, alegando que alguns funcionários participaram do ataque surpresa do grupo terrorista palestino contra Israel em 7 de outubro de 2023.

"A UNRWA-Hamas já havia cessado suas operações no local e não tinha mais pessoal da ONU nem realizava quaisquer atividades das Nações Unidas ali. O complexo não goza de qualquer tipo de imunidade, e sua confiscação pelas autoridades israelenses foi realizada de acordo com o direito israelense e internacional", declarou o ministério.

Condenação da ONU e violação do direito internacional

A UNRWA denunciou o ataque como "sem precedentes", segundo Roland Friedrich, diretor da agência para a Cisjordânia e Jerusalém Oriental. Ele condenou a demolição como "uma grave violação do direito internacional e dos privilégios e imunidades das Nações Unidas".

Jonathan Fowler, porta-voz da agência, acrescentou que as forças israelenses "invadiram" o complexo pouco depois das 5h (2h no horário de Brasília), expulsando seguranças antes que os tratores iniciassem a demolição. Fowler alertou que o incidente pode servir de precedente perigoso, afirmando: "O que está acontecendo com a UNRWA hoje pode acontecer amanhã com qualquer outra organização internacional ou missão diplomática ao redor do mundo".

Visita de ministro israelense e declarações polêmicas

O ministro da Segurança Nacional de Israel, o ultradireitista Itamar Ben Gvir, fez uma breve visita ao local durante a operação. Em um comunicado, ele descreveu o dia como "histórico" e "de celebração", afirmando: "Durante anos, esses apoiadores do terrorismo estiveram aqui, e hoje estão sendo expulsos daqui, juntamente com tudo o que construíram neste local. Isso é o que acontecerá com todos os apoiadores do terrorismo".

Contexto histórico e disputas anteriores

O complexo em Jerusalém Oriental, a parte predominantemente árabe anexada por Israel, estava sem funcionários da UNRWA desde janeiro de 2025. Isso ocorreu após a entrada em vigor de uma lei que proibia as operações da agência, seguindo meses de disputa sobre seu trabalho na Faixa de Gaza. A proibição se aplica especificamente a Jerusalém Oriental, mas a UNRWA continua operando na Cisjordânia ocupada e em Gaza.

No início de dezembro, o diretor-geral da UNRWA, Philippe Lazzarini, já havia denunciado a apreensão de bens no complexo pelas autoridades israelenses, que a polícia descreveu como uma operação de cobrança de dívidas. Lazzarini relatou em uma publicação no X que as autoridades apreenderam "móveis, equipamentos de informática e outros bens" e substituíram a bandeira da ONU por uma bandeira israelense.

Na época, o secretário-geral da ONU, António Guterres, condenou a "entrada não autorizada" nas instalações das Nações Unidas. É importante notar que, meses após o início da guerra em Gaza em outubro de 2023, as autoridades israelenses declararam Guterres e Lazzarini como personas non gratas, intensificando as tensões diplomáticas.

Implicações internacionais e reações

Este incidente destaca as crescentes fricções entre Israel e agências internacionais, especialmente em meio ao conflito prolongado na região. A demolição não só representa um desafio direto à autoridade da ONU, mas também levanta questões sobre a proteção de instalações diplomáticas em zonas de conflito.

  • Israel alega conformidade com o direito nacional e internacional.
  • A UNRWA e outros órgãos da ONU denunciam violações graves.
  • O episódio pode impactar futuras relações diplomáticas globais.

Enquanto Israel justifica a ação com base em acusações de terrorismo, a comunidade internacional observa com preocupação o precedente estabelecido, que pode afetar a segurança de missões humanitárias em todo o mundo.