Irã reabre espaço aéreo após 5 horas de fechamento e tensão com EUA
Irã reabre espaço aéreo após fechamento por tensão com EUA

O espaço aéreo do Irã foi reaberto na madrugada desta quinta-feira (15), após um fechamento temporário de quase cinco horas. A medida, tomada em meio a temores de uma possível ação militar dos Estados Unidos, causou cancelamentos, desvios e atrasos em voos internacionais.

Fechamento e reabertura do espaço aéreo

Segundo informações da agência Reuters, o aviso de fechamento foi removido pouco antes da meia-noite, no horário de Brasília. O serviço de rastreamento Flightradar24 registrou que as primeiras companhias aéreas a retomarem as operações no país foram as iranianas Mahan Air, Yazd Airways e AVA Airlines, com cinco voos identificados.

Por volta da 1h, o portal de monitoramento já mostrava aeronaves sobrevoando o território iraniano novamente. O fechamento havia sido implementado em um contexto de alta tensão geopolítica entre o Irã e os Estados Unidos.

Alerta alemão e desvio de voos

Mais cedo, as autoridades da Alemanha emitiram uma diretiva urgente, alertando as companhias aéreas civis alemãs para que evitassem a FIR (Região de Informação de Voo) de Teerã, identificada pelo código OIIX. O comunicado citava um "risco potencial à aviação devido à escalada de conflitos e armamento antiaéreo".

A medida teve impacto imediato no tráfego aéreo. Alguns voos, como o UAE325 da Emirates, que seguia de Seul para Dubai, precisou dar meia-volta sobre o Turcomenistão para sair do espaço aéreo iraniano. Outro voo, o AUV7742 da FlyOne, entre Medina e Tashkent, aparentemente retornou sobre o Golfo Pérsico.

Cenário de tensão e protestos violentos

O fechamento do espaço aéreo ocorre em um momento de extrema pressão sobre o regime iraniano. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem sugerido publicamente que pode autorizar uma intervenção militar em resposta à violenta repressão aos protestos no país.

Na terça-feira (13), Trump dirigiu-se diretamente aos manifestantes, pedindo que continuassem os protestos e que "guardassem os nomes dos assassinos e dos que estão maltratando vocês", prometendo que eles "pagariam um preço muito alto". Ele também afirmou, de forma enigmática, que "a ajuda está a caminho".

O cenário interno no Irã é marcado por uma onda de protestos que começou com queixas econômicas e evoluiu para pedidos de queda da República Islâmica. De acordo com a ONG Direitos Humanos no Irã (IHR), com base na Noruega, o número de mortos nos protestos já supera 3.400 pessoas, sendo pelo menos 3.379 manifestantes, apenas entre os dias 8 e 12 de janeiro. A ONG norte-americana HRANA estima que mais de 18 mil pessoas tenham sido presas.

O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, declarou durante visita à Índia que acredita que o regime dos aiatolás está em seus "últimos dias e semanas", argumentando que um governo que se mantém apenas pela violência está em seu fim.

Ameaças e movimentações militares

Em resposta às ameaças norte-americanas, o Irã já alertou que retaliará, atacando bases militares dos EUA no Oriente Médio caso seja bombardeado, conforme declarou um oficial de alto escalão à Reuters. Fontes indicam que os Estados Unidos já começaram a evacuar soldados de algumas de suas principais bases na região.

Trump recebeu um relatório de possíveis ações militares contra o Irã e, quando questionado sobre a possibilidade de ataques, respondeu: "Vocês terão que descobrir". A situação permanece extremamente volátil, com o espaço aéreo reaberto, mas a ameaça de um conflito mais amplo pairando no ar.