Irã Enfoca Crise Interna e Ameaças Externas em Meio a Protestos Massivos
O futuro do Irã permanece incerto diante de uma onda de protestos que sacode o país, combinada com uma crescente tensão militar internacional. Nesta terça-feira (27), ativistas divulgaram números alarmantes sobre a repressão governamental, enquanto movimentos estratégicos das forças americanas no Oriente Médio ampliam os riscos de um conflito aberto.
Números Chocantes da Repressão e Colapso Econômico
De acordo com a Human Rights Activists News Agency (HRANA), uma organização com base nos Estados Unidos conhecida por sua precisão em relatórios anteriores, a repressão sangrenta contra manifestantes no Irã resultou em pelo menos 6.159 mortes. Esse total supera qualquer onda de protestos no país em décadas, remetendo ao caos da Revolução Islâmica de 1979.
Os detalhes são ainda mais sombrios: entre os mortos, há 5.804 manifestantes, 214 membros das forças ligadas ao governo, 92 crianças e 49 civis que não participavam dos protestos. Além disso, mais de 42.200 pessoas foram presas durante os confrontos. O governo iraniano, por sua vez, divulgou um número muito menor, de 3.117 mortos, classificando muitos como "terroristas", uma prática criticada por subnotificar mortes em episódios passados de agitação.
Paralelamente, a economia iraniana enfrenta um colapso severo. A moeda local, o rial, caiu para uma mínima histórica de 1,5 milhão por dólar, refletindo a pressão das sanções internacionais e a instabilidade interna. Comerciantes em Teerã relutam em falar publicamente sobre a situação, enquanto o governo tenta medidas paliativas, como oferecer subsídios mensais equivalentes a US$ 7 para a população, insuficientes diante do aumento do custo de vida.
Tensão Militar com os Estados Unidos e Aliados Regionais
Enquanto a crise interna se agrava, a chegada do porta-aviões USS Abraham Lincoln e de destróieres com mísseis guiados ao Oriente Médio dá aos Estados Unidos capacidade significativa para atacar o Irã. Essa movimentação ocorre em um contexto em que Estados árabes do Golfo sinalizam querer ficar fora de qualquer ofensiva, apesar de abrigarem militares americanos.
A empresa privada de segurança Ambrey avaliou que os EUA "posicionaram capacidade militar suficiente para conduzir operações cinéticas contra o Irã", embora destacasse que apoiar manifestantes pode não justificar um conflito prolongado. Objetivos como a degradação das capacidades militares iranianas, no entanto, aumentam a probabilidade de uma intervenção limitada.
O presidente americano, Donald Trump, tem ameaçado ação militar em resposta à morte de manifestantes pacíficos e possíveis execuções em massa, enquanto o embaixador iraniano na ONU, Amir Saeid Iravani, acusa Trump de incitar violência por "grupos terroristas armados" apoiados pelos EUA e Israel, sem apresentar provas concretas.
Protestos, Apagão de Internet e Reações Internacionais
Os protestos no Irã começaram em 28 de dezembro, impulsionados pela queda do rial, e rapidamente se espalharam pelo país. A repressão violenta pelo regime teocrático só começou a ficar clara após mais de duas semanas de um apagão de internet, considerado o mais abrangente da história do país, dificultando a verificação independente dos números pela Associated Press.
A mídia estatal iraniana tenta responsabilizar forças estrangeiras pelos protestos, enquanto o regime luta para lidar com uma economia debilitada, ainda pressionada por sanções internacionais relacionadas ao seu programa nuclear. A incapacidade de conter a crise econômica pode desencadear novos protestos, especialmente se bens do dia a dia se tornarem inacessíveis para a população.
Milícias Apoiadas pelo Irã e o "Eixo da Resistência"
O Irã projeta poder regional através do chamado "Eixo da Resistência", uma rede de grupos militantes aliados em Gaza, Líbano, Iêmen, Síria, Iraque e outros locais. No entanto, esse eixo tem se enfraquecido após conflitos recentes, como a guerra em Gaza, onde Israel atingiu grupos como o Hamas e o Hezbollah.
Duas milícias apoiadas pelo Irã no Oriente Médio indicaram disposição para lançar novos ataques em apoio a Teerã. Por exemplo, o líder da milícia iraquiana Kataib Hezbollah, Ahmad "Abu Hussein" al-Hamidawi, alertou que "a guerra contra a República (Islâmica) não será um piquenique". Enquanto isso, o Hezbollah libanês, um aliado firme, se recusou a detalhar sua reação a um possível ataque, afirmando que "esses detalhes serão definidos pela batalha".
Em resumo, o Irã enfrenta uma tempestade perfeita de protestos internos, colapso econômico e tensões militares externas, com o risco de um conflito regional se ampliando a cada dia. A combinação de repressão brutal e movimentos estratégicos de potências estrangeiras coloca o país em um caminho perigoso, cujo desfecho ainda é incerto.