Irã integra 1.000 drones ao arsenal e ameaça guerra após pressão de Trump por acordo nuclear
Irã integra 1.000 drones e ameaça guerra após pressão de Trump

Irã reforça arsenal com 1.000 drones e ameaça guerra após pressão de Trump por acordo nuclear

O Exército do Irã integrou ao seu arsenal um novo lote de 1.000 drones, anunciou nesta quinta-feira (29) o chefe da pasta, em meio a crescentes tensões com os Estados Unidos. Os armamentos foram enviados para diferentes ramos das Forças Armadas iranianas, segundo a agência de notícias semioficial Tasnim, marcando um momento crítico nas relações bilaterais.

Trump pressiona por acordo com ameaças de "enorme armada"

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensificou a pressão sobre o regime de Ali Khamenei, exigindo a assinatura de um novo acordo para limitar o programa nuclear de Teerã. Em uma postagem em rede social, Trump se gabou de uma "enorme armada" a caminho do Irã e advertiu que o "tempo está se esgotando" para negociações.

Ele relembrou a "Operação Martelo da Meia-Noite", realizada em parceria com Israel em junho do ano passado, quando três instalações nucleares iranianas foram bombardeadas, e alertou que um novo ataque seria "muito pior". Trump afirmou: "Esperamos que o Irã se sente à mesa de negociações o mais breve possível e chegue a um acordo justo e equitativo – sem armas nucleares".

Irã devolve ameaças e alerta para início de guerra

Em resposta, o Irã devolveu as ameaças feitas por Trump. Ali Shamkhani, conselheiro sênior do líder supremo Ali Khamenei, declarou em um post na rede social X que qualquer ação militar dos EUA será considerada o início de uma guerra. Ele afirmou: "Um ataque limitado é uma ilusão. Qualquer ação militar dos EUA, de qualquer origem e em qualquer nível, será considerada o início de uma guerra, e sua resposta será imediata, abrangente e sem precedentes".

O perfil oficial da missão do Irã junto à ONU também se pronunciou, dizendo que o país está pronto para o diálogo, mas não deixará de se defender: "O Irã está pronto para o diálogo baseado no respeito mútuo e nos interesses comuns, mas se pressionado, se defenderá e responderá como nunca antes".

Contexto de tensões e posição russa

A nova troca de ameaças ocorre após Trump ordenar o envio de uma frota militar para o Oriente Médio, incluindo um porta-aviões. Antes disso, no começo do mês, Trump já havia feito ameaças ao Irã devido ao grande número de mortes causadas pela repressão do governo aos protestos no país, que, segundo ativistas, matou pelo menos 6.159 pessoas.

A Rússia entrou no debate nesta quinta-feira, com o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmando que um ataque dos EUA ao Irã pode "levar a consequências muito perigosas" e pedindo que não haja "uso da força". Essa intervenção destaca o risco de escalada internacional no conflito.

Diplomacia sob ameaça e preparativos para o pior

O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, já havia dito que Teerã não negociará com os Estados Unidos sob ameaças, desmentindo alegações de Trump sobre contatos recentes. Araghchi afirmou: "Conduzir a diplomacia por meio de ameaças militares não pode ser eficaz nem útil. Se eles querem que as negociações avancem, certamente precisam deixar de lado ameaças, exigências excessivas e a colocação de questões ilógicas".

No dia 23, uma autoridade da alta cúpula do governo iraniano disse estar se preparando para o "pior cenário", inclusive uma "guerra total", diante do envio do porta-aviões dos Estados Unidos à região. Essa postura reflete a gravidade da situação e a disposição de Teerã em responder com força a qualquer agressão.

Enquanto isso, o comandante-em-chefe do exército iraniano, Amir Hatami, reforçou a postura defensiva do país: "Conforme as ameaças perante nosso país, o Exército mantém e aprimora suas vantagens estratégicas para um combate rápido e uma resposta esmagadora contra qualquer agressor". A integração dos 1.000 drones ao arsenal simboliza esse fortalecimento militar em um momento de alta tensão global.