Irã em alerta máximo após movimentação naval dos EUA no Golfo
Irã em alerta máximo após movimentação naval dos EUA

Irã declara alerta máximo militar após movimentação naval dos EUA no Golfo

O chefe do Exército do Irã, Amir Hatami, emitiu um alerta contundente aos Estados Unidos e a Israel neste sábado (31), afirmando que as Forças Armadas iranianas estão em estado de alerta máximo. A declaração ocorre após o deslocamento expressivo de navios de guerra americanos no Golfo Pérsico, incluindo o porta-aviões USS Abraham Lincoln, o que tem aumentado os temores de um confronto direto na região.

Alerta militar e ameaças de retaliação

Amir Hatami foi citado pela agência de notícias iraniana Irna, onde declarou: "Se o inimigo cometer um erro, isso colocará sem dúvida alguma em perigo sua própria segurança, a da região e a do regime sionista". Ele acrescentou que as Forças Armadas do Irã estão "plenamente preparadas" para responder a qualquer agressão.

O Irã tem avisado repetidamente que, se for atacado, responderá com mísseis contra bases norte-americanas no Oriente Médio e também contra aliados dos EUA, com foco especial em Israel. Essa postura reflete a crescente tensão entre Teerã e Washington, que tem se intensificado nos últimos meses.

Programa nuclear e infraestrutura atômica

Em resposta às pressões do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por um acordo sobre o programa nuclear iraniano, Hatami afirmou que a infraestrutura atômica do país não será suprimida. "O conhecimento e a tecnologia nuclear da República Islâmica do Irã não podem ser eliminados, mesmo que os cientistas e os filhos da nação se tornem mártires", disse ele.

Essa declaração faz referência aos bombardeios que atingiram instalações e cientistas iranianos durante a guerra de 12 dias com Israel, ocorrida em junho passado. Washington, Tel Aviv e várias potências ocidentais alegam que o programa nuclear iraniano visa desenvolver uma bomba atômica, acusação que Teerã nega veementemente.

Contexto político e protestos recentes

A tensão tem sido agravada pela campanha repressiva do regime iraniano contra protestos que ocorreram entre o fim de dezembro e o começo de janeiro. Donald Trump reforçou ameaças de atacar o Irã em resposta a essa repressão, manifestando apoio aos manifestantes em diversas ocasiões.

Neste sábado, o presidente iraniano Masoud Pezeshkian acusou líderes dos EUA, de Israel e da Europa de explorarem os problemas econômicos do país para incitar agitação. "Seja Trump, seja Netanyahu, sejam os europeus, todos procuraram provocar, criar divisão e armar e somaram pessoas inocentes a essa corrente", afirmou Pezeshkian.

Ele argumentou que os protestos não eram meramente sociais, mas sim uma tentativa de "despedaçar este país, semear conflito e ódio entre as pessoas e criar divisão". Autoridades americanas disseram na sexta-feira (30) que Trump estava revisando suas opções, mas ainda não havia decidido se atacaria o Irã, mantendo a incerteza sobre os próximos passos.

Implicações regionais e internacionais

A movimentação militar dos EUA no Golfo Pérsico e as declarações beligerantes de ambos os lados elevam o risco de um conflito aberto que poderia desestabilizar toda a região. O estado de alerta máximo do Irã indica uma preparação para possíveis hostilidades, enquanto Washington avalia suas estratégias.

Essa situação complexa envolve não apenas questões de segurança, mas também disputas políticas e econômicas, com o programa nuclear iraniano no centro das atenções. A comunidade internacional observa com apreensão, temendo que um erro de cálculo possa levar a consequências graves para a paz global.