Irã em alerta máximo após movimentação militar dos EUA no Oriente Médio
Irã em alerta após movimentação militar dos EUA

Irã em alerta máximo após movimentação militar dos EUA no Oriente Médio

O governo do Irã entrou em estado de alerta máximo diante da possibilidade de um novo ataque militar dos Estados Unidos, com apoio de Israel. A confirmação do deslocamento do grupo de ataque do porta-aviões USS Abraham Lincoln para o Oriente Médio nesta segunda-feira, 26 de janeiro de 2026, elevou significativamente o nível de tensão na região.

Movimentação militar e temores de ofensiva

Observadores internacionais citados pelo jornal britânico The Guardian relataram que a movimentação interna iraniana indica um estado de preparação para um possível confronto. Analistas avaliam que as forças dos EUA já se encontram em alcance operacional suficiente para atingir o território iraniano, mesmo com parte da frota ainda não posicionada de forma definitiva.

O Pentágono anunciou a realização de exercícios militares na região durante o fim de semana, com o objetivo declarado de demonstrar a capacidade de mobilizar, dispersar e sustentar poder aéreo de combate. O envio do porta-aviões e de destróieres equipados com mísseis guiados ocorre em um momento de forte instabilidade interna no Irã.

Crise interna e instabilidade econômica

O país enfrenta uma profunda crise econômica, com a inflação atingindo 60% no último mês, segundo dados oficiais. Nesta segunda-feira, a bolsa iraniana registrou a maior queda diária de sua história, aprofundando o descontentamento popular diante da perda acelerada do poder de compra.

Os protestos populares, reprimidos com violência pelas forças de segurança, continuam a abalar o regime. A organização Human Rights Activists estima que 5.419 manifestantes tenham sido mortos até agora, além de outras 17.000 mortes ainda sob investigação. A relatora especial da ONU para o Irã, Mai Sato, relatou denúncias de famílias obrigadas a pagar entre 5.000 e 7.000 dólares para recuperar os corpos de parentes.

Isolamento informacional e posicionamento regional

Desde 8 de janeiro, o acesso à internet no Irã vem sendo severamente restringido. O Ministério das Comunicações admitiu que as empresas de telecomunicações não conseguem sustentar interrupções por mais de 20 dias, mas manteve as limitações, aprofundando o isolamento informacional da população.

Países da região, como os Emirados Árabes Unidos, afirmaram que não autorizarão o uso de seu espaço aéreo ou de águas territoriais para um eventual ataque contra o Irã. No entanto, a presença do grupo de ataque do porta-aviões no Mediterrâneo reduz a dependência de autorizações de terceiros e amplia a margem de manobra militar dos Estados Unidos.

Alvo político e retórica de confronto

Diferentemente de confrontos anteriores, um eventual ataque não teria como foco principal o programa nuclear iraniano, mas sim a liderança política do país. A estratégia, segundo analistas, seria ampliar a pressão sobre um regime fragilizado pela crise econômica e pelos protestos.

Ali Larijani, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, acusou os Estados Unidos de tentar destruir a coesão social do país antes de qualquer ação militar. Ele classificou os manifestantes como grupos urbanos com características terroristas e acusou-os de tentar provocar uma guerra civil.

Diálogo interrompido e ameaças de retaliação

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, negou que haja qualquer diálogo em curso entre Teerã e Washington. Em entrevista coletiva, ele chamou de mentira a informação de que o enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, estaria em contato com o chanceler iraniano para discutir um possível acordo diplomático.

Baghaei afirmou que as Forças Armadas iranianas estão monitorando cuidadosamente cada movimento das tropas americanas e advertiu que ameaças militares violam os princípios do direito internacional. Em tom mais duro, concluiu: Responderemos de forma completa e lamentável a qualquer agressão.

Divisões internas e incertezas estratégicas

Internamente, o regime sinaliza fechamento total ao diálogo. O chefe do Judiciário, Gholam-Hossein Mohseni-Ejei, pediu publicamente que o Irã não retorne à mesa de negociações com os Estados Unidos. Há duas semanas, o presidente americano Donald Trump recuou de uma ofensiva imediata, temendo não dispor de um plano claro para depor o líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei.

Dentro do próprio governo americano, persiste a divisão sobre a conveniência de apostar em uma mudança de regime em um país com cerca de 90 milhões de habitantes. A instabilidade regional e as incertezas estratégicas continuam a moldar um cenário de alta tensão no Oriente Médio.