Irã declara ter eliminado todos os protestos e divulga número oficial de 3 mil mortos
O governo do Irã anunciou oficialmente o fim dos protestos antigovernamentais que sacudiram o país nas últimas semanas, afirmando que os atos foram completamente sufocados após uma intensa repressão. Em declaração divulgada pela agência oficial do Judiciário, Mizan News, o procurador-geral iraniano, Mohammad Movahedi, declarou que a sedição acabou e prometeu processar os manifestantes por acusações de terrorismo.
Números divergentes sobre as vítimas da repressão
Pela primeira vez desde o início dos protestos, o regime divulgou um balanço oficial de mortes, estimando que mais de 3 mil pessoas tenham perdido a vida durante os confrontos. No entanto, esse número é significativamente inferior ao levantamento realizado pela Human Rights Activists News Agency (HRANA), organização sediada nos Estados Unidos, que contabilizou 4.519 mortos até a terça-feira anterior ao anúncio oficial.
Origens e evolução dos protestos
As manifestações começaram no final de dezembro, impulsionadas principalmente pelo colapso da economia iraniana e pela desvalorização acentuada da moeda nacional, o rial, que perdeu quase 50% do valor contra o dólar ao longo de 2025. Inicialmente focadas em questões econômicas e na crise inflacionária, os protestos rapidamente evoluíram para um desafio direto ao regime teocrático que governa o país desde a Revolução de 1979.
Com o avanço da repressão governamental, os atos ganharam um caráter mais amplo e transformaram-se em um movimento de contestação política. Imagens e depoimentos divulgados durante o auge dos protestos indicam que o governo promoveu uma das repressões mais letais das últimas décadas, com relatos de uso de armas automáticas contra manifestantes desarmados e prisões em massa.
Repressão violenta e acusações graves
Testemunhas e organizações de direitos humanos relataram cenas de extrema violência durante os protestos, incluindo:
- Uso de força letal contra civis desarmados
- Prisões arbitrárias em grande escala
- Relatos de tortura, incluindo espancamentos e estupros
- Bloqueio rigoroso ao acesso à internet
As autoridades iranianas acusam os organizadores dos protestos de terrorismo e ligação com governos estrangeiros. Movahedi afirmou que os chamados provocadores serão julgados, inclusive sob a acusação de guerra contra Deus — crime que, segundo a legislação iraniana, pode levar à pena de morte.
Contexto internacional e tensões diplomáticas
Durante os protestos, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chegou a ameaçar uma intervenção militar, afirmando que o país estava pronto para agir para proteger os manifestantes iranianos. Em resposta, o chanceler iraniano Abbas Araghchi publicou um artigo no The Wall Street Journal alertando que o Irã não hesitará em responder com tudo o que tiver em caso de novo ataque.
Situação atual no país
Segundo relatos recentes, o clima nas ruas do Irã mudou significativamente nos últimos dias:
- As escolas e comércios reabriram gradualmente
- Forças de segurança mantêm vigilância constante nas ruas
- O governo prometeu restabelecer o acesso à internet em breve
- Plataformas de mídia estrangeiras podem continuar bloqueadas
O regime afirma que a vida normal foi retomada em todo o país, mas organizações de direitos humanos alertam que milhares de pessoas continuam detidas e que a disseminação de fake news e o bloqueio à internet dificultam o acesso a informações confiáveis tanto dentro quanto fora do Irã.