Irã acusa Trump de incitar crimes de guerra e genocídio em discurso sobre estreito de Hormuz
O representante da República Islâmica do Irã nas Nações Unidas, Amir-Saeid Iravani, afirmou que as ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, constituem incitação a crimes de guerra e potencialmente genocídio. A declaração ocorreu durante uma reunião do Conselho de Segurança da ONU nesta terça-feira (7), que discutiu a desobstrução do estreito de Hormuz, bloqueado pelo Irã desde o início do conflito.
Veto de China e Rússia derruba proposta no Conselho de Segurança
Uma proposta apresentada pelo Bahrein, presidente rotativo do colegiado, para liberar o estreito de Hormuz foi derrubada devido ao veto de China e Rússia, membros permanentes do Conselho de Segurança e aliados de Teerã. Iravani pediu à comunidade internacional que denuncie a retórica de Trump, enfatizando que o Irã não ficará parado diante de tais ameaças e exercerá seu direito de legítima defesa com medidas proporcionais.
Ultimato de Trump e ameaças de destruição
Trump estabeleceu um ultimato para a reabertura do estreito de Hormuz, por onde passam cerca de 20% do petróleo mundial, com prazo até as 21h de terça-feira, horário de Brasília. Ele ameaçou destruir todas as pontes e usinas de energia do Irã caso não houvesse acordo, afirmando em sua rede social, Truth Social, que uma civilização inteira morrerá esta noite. Ofensivas à infraestrutura civil são amplamente vistas como crimes de guerra, com paralelos usados por Rússia na Ucrânia e por Israel no Líbano.
Posicionamento internacional e críticas mútuas
Na reunião, China e Rússia argumentaram que a resolução era tendenciosa contra o Irã, com o embaixador chinês afirmando que aprová-la enviaria a mensagem errada diante das ameaças americanas. O representante russo mencionou que os dois países trabalham em uma proposta alternativa sobre segurança marítima no Oriente Médio. Em resposta, o embaixador americano na ONU, Mike Waltz, criticou o veto como um novo nível de baixeza, acusando China e Rússia de se alinharem a Teerã e impedirem ajuda humanitária a regiões como Congo, Sudão e Faixa de Gaza.
Repercussões e possíveis extensões de prazo
A secretária de Imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que Trump está ciente de uma proposta do Paquistão para estender o ultimato por mais duas semanas, com uma resposta pendente. Entre ameaças e recuos, a situação permanece tensa, com o Irã reiterando sua disposição para ações defensivas e a comunidade internacional observando atentamente os desdobramentos no Conselho de Segurança e além.



