Irã intensifica reparos em instalações de mísseis após ataques aéreos, aponta análise de imagens
Uma análise detalhada de imagens de satélite divulgada pelo New York Times nesta sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026, revela que o Irã está acelerando significativamente os reparos em suas instalações de mísseis balísticos, que foram atingidas por ataques coordenados de Israel e dos Estados Unidos durante uma intensa guerra aérea de doze dias em junho do ano passado. As imagens, capturadas recentemente, mostram atividade de construção em cerca de duas dezenas de locais danificados, com obras visíveis em mais da metade desses sítios estratégicos.
Limitações na avaliação e foco em estruturas superficiais
Especialistas consultados pelo jornal americano alertam, no entanto, que as imagens de satélite permitem observar apenas as estruturas acima do solo, o que restringe uma avaliação completa do que ocorre nos níveis subterrâneos dessas instalações. Apesar dessa limitação, os dados indicam claramente que os reparos em diversas bases de mísseis começaram pouco tempo após os ataques, sugerindo que a produção e manutenção de mísseis balísticos constituem uma prioridade de curto prazo para o governo iraniano.
Contraste com instalações nucleares e estratégia de segurança
Em contraste marcante, os principais centros de enriquecimento de urânio do Irã – incluindo as instalações de Isfahan, Natanz e Fordo – parecem permanecer inoperantes ou com atividades limitadas. A Estratégia de Segurança Nacional da Casa Branca, publicada em novembro, afirma que os ataques "degradaram significativamente o programa nuclear do Irã". Desde dezembro, o Irã instalou coberturas em duas dessas instalações nucleares, dificultando a verificação de possíveis reconstruções internas, embora a maior parte dos danos visíveis acima do solo ainda persista.
Joseph Rodgers, membro do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais e monitor do programa nuclear iraniano, comentou que grande parte da atividade observada em torno dos locais nucleares parece focada principalmente na avaliação e estabilização dos danos causados pelos ataques. Rodgers também sugeriu que o Irã mantém estoques de urânio enriquecido, com informações de inteligência dos EUA e Israel indicando que o material enterrado nas três instalações atingidas em junho permanece no local.
Negociações diplomáticas em meio a tensões regionais
A divulgação dessas imagens ocorre simultaneamente a negociações diplomáticas entre representantes dos Estados Unidos e do Irã, que se reúnem em Omã para discutir um possível acordo de não proliferação de armas nucleares. Este encontro marca o primeiro diálogo direto entre Washington e Teerã desde a aliança americana com Israel contra o Irã em junho passado.
Enquanto o governo iraniano sustenta que seu programa de enriquecimento de urânio tem fins exclusivamente energéticos, os Estados Unidos, Israel e várias nações europeias acusam o país de buscar o desenvolvimento de uma bomba atômica. Nas últimas semanas, a tensão na região aumentou com o envio de uma "enorme armada" americana ao Oriente Médio, liderada pelo porta-aviões USS Abraham Lincoln, e alertas públicos sobre consequências graves caso um acordo não seja alcançado.
Pontos de conflito e linhas vermelhas nas negociações
Washington busca incluir questões como o desenvolvimento de mísseis iranianos na pauta das negociações, mas Teerã já advertiu que não fará concessões em relação ao seu programa de mísseis balísticos – um dos maiores do Oriente Médio –, considerando-o uma linha vermelha intransponível. É precisamente com essas armas que o Irã ameaçou retaliar em caso de um ataque americano.
Os pontos de negociação anteriores do governo americano incluíam:
- Proibição do enriquecimento de urânio pelo Irã
- Restrições a mísseis balísticos de longo alcance
- Fim do apoio iraniano a grupos armados na região
Teerã já indicou que considera todas essas exigências como violações inaceitáveis de sua soberania, sendo o tema dos mísseis balísticos apontado como o maior obstáculo para um acordo viável. A análise do New York Times destaca assim a complexidade do cenário geopolítico, onde avanços técnicos em instalações militares se entrelaçam com delicadas manobras diplomáticas que podem definir o futuro da segurança regional.