EUA e Irã iniciam negociações no Paquistão com seis pontos de atrito principais
EUA e Irã negociam no Paquistão com seis pontos de atrito

Diálogo crucial entre potências ocorre em meio a trégua frágil e desconfiança mútua

Neste sábado, 11 de abril de 2026, a capital paquistanesa, Islamabad, se transforma no palco de um encontro diplomático de extrema importância. Delegações dos Estados Unidos e do Irã se reúnem no Hotel Serena para a primeira rodada de conversas diretas após o anúncio de uma trégua temporária de duas semanas no conflito que assola o Oriente Médio.

O vice-presidente americano J.D. Vance lidera a comitiva dos Estados Unidos, acompanhado pelo enviado especial do presidente Donald Trump, Steve Witkoff, e pelo genro do mandatário, Jared Kushner. Do lado iraniano, as discussões são conduzidas pelo presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, e pelo ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi.

Seis obstáculos principais ameaçam o avanço das negociações

Apesar da proposta de dez pontos apresentada pelo Irã, que a Casa Branca classificou como "base viável para negociação", existem pelo menos seis áreas de forte atrito entre as partes:

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  1. Programa nuclear iraniano: Os Estados Unidos exigem a interrupção completa do enriquecimento de urânio e a remoção dos estoques existentes, enquanto o Irã insiste no direito ao enriquecimento para fins pacíficos.
  2. Conflito no Líbano: Teerã afirma que o cessar-fogo deve incluir todas as frentes, incluindo o Líbano, mas Washington e Israel continuam os ataques contra a milícia Hezbollah, considerada pró-iraniana.
  3. Sanções econômicas: O Irã exige o levantamento total das sanções e a liberação de ativos congelados, enquanto os americanos pretendem manter pressão sobre o regime dos aiatolás.
  4. Controle do Estreito de Ormuz: O país persa busca coordenar a passagem pela crucial hidrovia e implementar um pedágio de até US$ 2 milhões por petroleiro, com transações em bitcoin.
  5. Presença militar americana: A proposta iraniana prevê a retirada das forças de combate dos Estados Unidos de todas as bases na região, contrariando a estratégia de Washington.
  6. Reparações de guerra: Teerã busca compensação pelos danos sofridos e um compromisso formal de não agressão por parte dos Estados Unidos.

Desconfiança mútua e declarações inflamadas

O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, já advertiu que as negociações se tornam "sem sentido" diante dos contínuos ataques israelenses no Líbano, que já causaram pelo menos 250 mortes. Em publicação nas redes sociais, ele afirmou: "Nossas mãos permanecem no gatilho. O Irã jamais abandonará seus irmãos e irmãs libaneses".

Do lado americano, Donald Trump reconheceu que "muitos dos 15 pontos já foram acordados", mas qualificou a proposta iraniana como "insuficiente". O Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã adiantou que as negociações podem durar até 15 dias, sugerindo que algumas delegações permanecerão em Islamabad após o sábado ou retornarão para rodadas subsequentes.

A segurança já foi reforçada em toda a cidade paquistanesa para garantir a realização dessas conversas que podem definir o futuro da estabilidade no Oriente Médio. A profundidade da desconfiança mútua, no entanto, representa um desafio adicional para diplomatas que buscam transformar uma trégua temporária em paz duradoura.

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