Dinamarca envia tropas para Groenlândia em resposta a tensões com EUA
Dinamarca envia tropas para Groenlândia após tensões com EUA

Dinamarca reforça presença militar na Groenlândia em meio a tensões com os Estados Unidos

A Dinamarca já enviou soldados para a Groenlândia, equipados com munição real, prontos para combater em caso de um possível ataque norte-americano, conforme anunciou a emissora pública dinamarquesa nesta sexta-feira. A medida ocorre em um contexto de crescentes tensões transatlânticas, destacando a determinação do país em proteger sua soberania e integridade territorial.

Operação militar e preparação para cenários críticos

De acordo com a Danmarks Radio, o Exército dinamarquês solicitou na semana passada que as tropas enviadas para a Groenlândia fossem equipadas com munição real, mencionando a possibilidade de enviar forças e recursos adicionais posteriormente, se necessário. Agora, aeronaves civis e militares já começaram a transportar soldados e equipamentos para o território autônomo.

Em declarações à imprensa nesta sexta-feira, o ministro da Defesa da Dinamarca, Troels Lund Poulsen, recusou-se a comentar essas informações, mantendo um tom reservado sobre os detalhes operacionais. No entanto, a ordem enviada aos soldados dinamarqueses revela que a operação envolve as Forças Armadas da Dinamarca reforçando a presença e o nível de atividade na Groenlândia para demonstrar a vontade e a capacidade de defender a soberania e a integridade territorial do Reino.

O documento também faz referência a um plano subjacente de defesa da Groenlândia, que poderá ser colocado em prática, se necessário, no pior cenário possível, indicando uma preparação estratégica para eventuais conflitos.

Contexto político e reações internacionais

Essas notícias surgem em um momento em que o recuo do presidente norte-americano, Donald Trump, em relação à Groenlândia parecia ter trazido algum alívio aos líderes europeus. No entanto, eles alertam para que não haja ilusões quanto ao estado das relações transatlânticas, que permanecem tensas.

Os líderes da União Europeia reuniram-se hoje em uma cúpula extraordinária, em Bruxelas, para discutir as relações transatlânticas após ameaças dos Estados Unidos — posteriormente retiradas — de impor tarifas a países que se opusessem às intenções norte-americanas em relação à Groenlândia. Com essa cúpula, os chefes de Estado e de Governo dos 27 países do bloco europeu quiseram enviar um forte sinal político de unidade, destacando que a soberania territorial e o direito internacional são princípios fundamentais da política externa da UE.

No último fim de semana, Trump anunciou tarifas sobre oito países europeus, incluindo seis Estados-membros da União Europeia, como Dinamarca, Suécia, França, Alemanha, Países Baixos e Finlândia, além da Noruega e Reino Unido. No entanto, já na noite desta quarta-feira, Trump recuou ao anunciar um acordo com o secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), Mark Rutte, sobre a Groenlândia, suspendendo também a ameaça de tarifas.

Posição da Groenlândia e diálogo pacífico

Ontem, o primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, admitiu um aumento da presença militar no território, ao mesmo tempo em que manifestou a intenção de manter um diálogo pacífico sobre o futuro. Ele identificou a soberania e a integridade territorial como linhas vermelhas, enfatizando a importância de resolver disputas por meios diplomáticos, apesar do reforço militar.

Essa situação complexa ilustra os desafios geopolíticos atuais, onde movimentos militares e negociações diplomáticas se entrelaçam, com a Dinamarca buscando equilibrar defesa e diálogo em um cenário internacional volátil.