Rússia ataca Kiev e Kharkiv durante negociações de paz nos Emirados Árabes Unidos
Ataque russo na Ucrânia durante negociações de paz nos Emirados

Rússia ataca Kiev e Kharkiv durante negociações de paz nos Emirados Árabes Unidos

Em um momento de aparente diplomacia, a Rússia surpreendeu o mundo ao ordenar um ataque maciço com drones e mísseis contra as cidades ucranianas de Kiev e Kharkiv. O ataque ocorreu na madrugada de sábado, justamente quando negociações de paz entre os dois países estavam em andamento nos Emirados Árabes Unidos, com intermediação dos Estados Unidos.

Indignação ucraniana e vítimas do ataque

As autoridades ucranianas reagiram com forte indignação ao ato hostil, que foi visto como uma sabotagem direta aos esforços diplomáticos. Andriy Sybiha, ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, declarou: "Esforços de paz? Reunião trilateral nos Emirados Árabes Unidos? Diplomacia? Para os ucranianos, esta foi mais uma noite de terror russo". Ele acrescentou que os mísseis russos atingiram não apenas o povo ucraniano, mas também a mesa de negociações.

Informações preliminares indicam que o ataque resultou em uma morte e pelo menos quinze feridos. Explosões continuaram a ser avistadas nas duas cidades durante a manhã, evidenciando a intensidade da ofensiva.

Impasses nas negociações e exigências russas

Durante as negociações tripartites, a Rússia deixou claro que não pretende recuar de sua exigência principal: o controle total da região de Donbas, no leste da Ucrânia. Esta área, já dominada pelo exército russo, inclui as regiões administrativas de Donetsk e Lugansk, e tem sido um ponto crucial de conflito.

Dmitri Peskov, porta-voz da Presidência russa, afirmou antes do início das conversas: "As Forças Armadas ucranianas devem abandonar o Donbass, devem se retirar. É uma condição muito importante". Ele destacou que, sem uma solução para a questão territorial, não faz sentido esperar a conclusão de um acordo de longo prazo.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, apelou à comunidade internacional após os ataques, enfatizando a necessidade de implementar totalmente os acordos de defesa aérea firmados com o presidente dos EUA, Donald Trump, em Davos naquela semana.

Crise energética e sofrimento da população

Os ataques ocorrem em meio a uma grave crise energética na Ucrânia. Kiev e outras cidades têm sofrido extensos cortes de energia após ataques russos às redes e usinas de eletricidade. Segundo a prefeitura da capital, cerca de 6.000 apartamentos em Kiev estão sem aquecimento, um aumento de 4.000 em relação aos dias anteriores.

Esta situação expõe a população a enormes riscos durante o inclemente inverno europeu. Os cortes de energia afetam aproximadamente 80% do território ucraniano, levando mais de 600.000 moradores a deixarem temporariamente suas cidades por não terem condições de enfrentar o frio extremo.

Contexto das negociações e encontros recentes

A reunião em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, ocorre um dia após dois encontros de alto nível: um em Davos entre Zelenskyy e Trump, e outro em Moscou entre o presidente russo, Vladimir Putin, e os enviados americanos Steve Witkoff e Jared Kushner.

O último ciclo de negociações diretas entre Rússia e Ucrânia aconteceu em julho de 2025, em Istambul, onde apenas a troca de prisioneiros e corpos de soldados mortos foi acordada. Os impasses atuais, especialmente sobre o controle de Donbas, continuam a dificultar um avanço significativo no processo de paz.