PT ordena apoio a Juliana Brizola no Rio Grande do Sul em intervenção histórica
Em uma decisão que marca um momento histórico para a política gaúcha, a direção nacional do Partido dos Trabalhadores (PT) determinou oficialmente que o partido apoie a pré-candidatura de Juliana Brizola, do PDT, ao governo do Rio Grande do Sul nas eleições de 2026. A resolução foi tomada pelo Grupo de Trabalho Eleitoral (GTE) durante reunião realizada na manhã desta terça-feira (7) e representa uma intervenção inédita da cúpula nacional junto ao diretório estadual do PT.
Fim de uma tradição e início de nova estratégia
Pela primeira vez na história, o PT não terá candidato próprio ao Palácio Piratini em 2026. O documento do GTE estabelece claramente que o partido deve "definir a construção de uma tática eleitoral conjunta com o PDT, e demais partidos do campo democrático, sob a liderança da companheira Juliana Brizola, como expressão política dessa estratégia no estado do Rio Grande do Sul".
O texto ainda reconhece Edegar Pretto como "a liderança com maior legitimidade para liderar essa construção", em uma tentativa de conciliar as diferentes correntes dentro do partido. No entanto, essa determinação nacional colide diretamente com os planos do diretório gaúcho, que insistia em manter a pré-candidatura de Pretto, que já vinha trabalhando ativamente em sua pré-campanha.
Resistência do diretório estadual e resposta de Pretto
O presidente nacional do PT, Edinho Silva, já havia enviado um "recado claro" ao diretório gaúcho e a Edegar Pretto: se a instância estadual não recuasse voluntariamente, a determinação partiria de Brasília. Ao receber o documento oficial do GTE, Pretto manteve sua posição e afirmou que segue com a intenção de concorrer.
"Respondi que, na condição de pré-candidato escolhido por unanimidade no último encontro estadual do partido, solicitei a convocação do Diretório Estadual do Partido dos Trabalhadores e das Trabalhadoras. Quero tratar desse tema com a instância que me colocou na condição em que estou hoje", declarou Pretto em nota enviada à reportagem.
O pré-candidato reforçou ainda que sua pré-candidatura "nunca foi um movimento pessoal e, há alguns meses, já não é apenas uma pré-candidatura do PT. Representa uma frente política que conhece o nosso estado e sabe qual é o melhor caminho para contribuirmos com a vitória do presidente Lula".
Estratégia nacional e acordos partidários
A decisão do PT nacional está inserida em uma estratégia mais ampla de alianças para as eleições de 2026. O PDT já havia declarado apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e, em troca, buscava o apoio do PT em três estados: Paraná, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.
O próprio presidente Lula teve participação direta na construção desses arranjos, que envolvem também acordos com o PSB de João Campos. Pesa ainda na decisão a estratégia do PT nacional de ter um palanque único no Rio Grande do Sul para a campanha de reeleição de Lula, uma definição que foi informada reiteradamente ao diretório gaúcho.
Contexto internacional e justificativa política
O documento do Grupo de Trabalho Eleitoral apresenta uma análise detalhada do cenário político que justifica a decisão. O texto reconhece "a ascensão do fascismo em escala global" e afirma que, no Brasil, esse fenômeno se manifesta na organização de um campo político liderado pela ultradireita.
Segundo o GTE, "a reeleição do presidente Lula constitui eixo central da tática política no próximo período, sendo fundamental para o reequilíbrio da correlação de forças no continente e para a afirmação internacional das forças democráticas no enfrentamento ao fascismo".
O documento estabelece ainda que "a derrota da ultradireita no Brasil pressupõe a construção de um amplo campo democrático, liderado por uma aliança de centro-esquerda", e reafirma a necessidade de construção de aliança com o PDT, considerado força fundamental na consolidação do campo democrático brasileiro.
Esta intervenção histórica do PT nacional no Rio Grande do Sul representa não apenas uma mudança tática para as eleições de 2026, mas também um realinhamento das forças políticas de esquerda no estado, com potenciais repercussões que vão além das fronteiras gaúchas e se inserem em uma estratégia nacional e continental.



