Oposição na Alerj calcula estratégias para derrotar Douglas Ruas na presidência da Casa
Oposição na Alerj planeja derrotar Douglas Ruas na presidência

Oposição na Alerj traça planos para superar grupo de Cláudio Castro na disputa pela presidência

Os deputados que formam a oposição ao grupo do governador Cláudio Castro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro estão intensificando seus cálculos e estratégias para derrotar o deputado Douglas Ruas na eleição para a presidência da Casa. Embora as negociações tenham sido temporariamente congeladas pela expectativa de uma decisão do Supremo Tribunal Federal, os parlamentares de partidos de centro e esquerda afirmam contar atualmente com 27 votos dos 36 necessários para garantir a vitória.

Mudanças partidárias e frustrações na contagem de votos

Após o encerramento da janela partidária, a oposição chegou a ter esperanças de alcançar 29 votos, mas sofreu um revés significativo com a retotalização dos votos pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro. Em vez de garantir uma cadeira para o ex-deputado Comte Bittencourt do Cidadania, como era esperado, o processo acabou beneficiando o Partido Liberal, fortalecendo ainda mais a posição do grupo governista.

Outro golpe para as articulações oposicionistas foi a surpreendente mudança de Chico Machado, que trocou o Solidariedade pela legenda de Cláudio Castro. Machado havia sido considerado como um possível nome do ex-prefeito Eduardo Paes na disputa pela presidência da Alerj, mas sua migração partidária alterou completamente o cenário de negociações.

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Busca por consenso e estratégia de "roubo" de votos

Para os parlamentares de oposição, o caminho ideal seria chegar a um consenso em torno de um único nome que tenha capacidade de atrair votos do lado governista. Essa estratégia depende fundamentalmente de uma decisão da Justiça que determine que a votação para presidente da Assembleia seja secreta, como pleiteia o Partido Democrático Trabalhista em ação judicial em tramitação.

Com as recentes trocas de siglas partidárias, o Partido Liberal aumentou sua bancada de 18 para 22 deputados, enquanto a federação PP-União Brasil conta com 11 representantes. Juntos, esses grupos chegam muito próximo do número necessário para eleger Douglas Ruas, criando um desafio considerável para a oposição.

Insatisfação no campo governista e possíveis brechas

Alguns deputados da direita demonstraram desconforto com as pressões sofridas durante a sessão relâmpago convocada pelo presidente em exercício Guilherme Delaroli do PL, que foi posteriormente anulada pela Justiça. Vitor Junior do PDT se coloca como uma figura potencialmente unificadora da oposição com o aval de Eduardo Paes, afirmando que seria necessário reverter apenas sete votos para garantir a vitória.

"Há um clima de insatisfação entre deputados que se sentiram coagidos a votar no Ruas", aposta Vitor Junior, que se declara favorável a pautas colocadas pelo Partido Socialismo e Liberdade, como a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito sobre o Banco Master, como forma de integrar diferentes blocos políticos.

Posicionamento do PSOL e papel crucial de Eduardo Paes

Os parlamentares do PSOL formam uma bancada unida de cinco deputados que planejam lançar um representante próprio na eleição, mas mantêm-se abertos a negociações com outras forças políticas. "O PSOL vai apresentar um nome que mude essa página no Rio. Hoje a Alerj funciona a base de chantagens e sem respeito à proporcionalidade e às minorias", afirma o deputado Flávio Serafini, acrescentando que seu partido está disponível para debater um pacto com a oposição.

A avaliação predominante entre os parlamentares é que a viabilidade de uma candidatura competitiva contra o Partido Liberal depende também da capacidade de Eduardo Paes em deslocar apoios dentro da Assembleia Legislativa. O Partido Social Democrático, liderado pelo ex-prefeito do Rio, conseguiu dobrar sua bancada, alcançando dez deputados, o que representa um trunfo significativo nas negociações.

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Cenário complexo e articulações em andamento

Em caso de acordo, os deputados do PSD poderiam se juntar aos 16 parlamentares de esquerda dos partidos PT, PDT, PSB e PCdoB, além de Rosenverg Reis do Movimento Democrático Brasileiro. Rosenverg, irmão de Washington Reis e agora aliado de Eduardo Paes, também manifestou interesse em concorrer ao comando da Assembleia, destacando seu conhecimento profundo da estrutura da Casa.

"Eu conheço a entranha da estrutura da Casa", defende Rosenverg, que atualmente ocupa o cargo de primeiro-secretário da Assembleia, anteriormente presidida por Rodrigo Bacellar da União Brasil, que teve o mandato cassado e encontra-se preso. A disputa pela presidência da Alerj ganhará dimensão ainda maior se o Supremo Tribunal Federal decidir que o Rio de Janeiro será palco de uma eleição indireta para governador antes de outubro.

As articulações políticas devem retornar com força total na próxima quinta-feira, quando os ministros do STF definirão o cenário jurídico que orientará as próximas movimentações na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.