Pesquisa Paraná para 2026 revela cenário polarizado e teto eleitoral de Lula
Os números mais recentes do Paraná Pesquisas para a eleição presidencial de 2026, analisados no programa Os Três Poderes, apresentam um cenário de estabilidade para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e uma força inicial significativa para o senador Flávio Bolsonaro. O levantamento, divulgado em fevereiro de 2026, aponta para uma disputa acirrada e polarizada, com dificuldades para a direita moderada ganhar espaço.
Primeiro turno: Lula lidera, mas Flávio Bolsonaro aparece forte
Na pesquisa estimulada, Lula aparece na liderança do primeiro turno com 39,8% das intenções de voto. Em segundo lugar, Flávio Bolsonaro registra 33,1%, demonstrando uma base sólida desde o início da corrida eleitoral. Outros nomes, como Ratinho Júnior, Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Renan Santos e Aldo Rebelo, somam juntos cerca de 14% a 15% do eleitorado, indicando um eleitorado fragmentado na direita.
Quando o nome do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, é incluído na cédula, a dinâmica muda ligeiramente. Lula passa a ter 40,7% das intenções de voto, enquanto Tarcísio marca 27,5% — aproximadamente seis pontos percentuais abaixo do desempenho de Flávio Bolsonaro no mesmo recorte. Isso sugere que o senador herda uma fatia maior do eleitorado quando se posiciona como principal adversário do petista.
Segundo turno: empates técnicos e polarização evidente
Nas simulações de segundo turno, os cenários mostram disputas extremamente apertadas, com resultados dentro da margem de erro. Contra Flávio Bolsonaro, Lula registra 44,8%, enquanto o senador aparece com 42,2%, caracterizando um empate técnico. Em um eventual segundo turno entre Lula e Tarcísio, os números também permanecem tecnicamente empatados: 43,9% para o presidente e 42,5% para o governador.
Já contra Ratinho Júnior, Lula venceria fora da margem de erro, com 44,7% contra 38,9%. Esse dado reforça a dificuldade da direita moderada em competir diretamente com o presidente, destacando a polarização como um fator central na eleição.
Força do sobrenome Bolsonaro e teto de crescimento de Lula
Ao comentar os dados, o colunista Mauro Paulino destacou a força inicial do senador Flávio Bolsonaro. Segundo ele, o sobrenome Bolsonaro promove uma transferência quase automática de votos do ex-presidente Jair Bolsonaro para o filho, um fenômeno raro em disputas eleitorais brasileiras. Na avaliação de Paulino, independentemente do nome que represente a direita no segundo turno, a tendência é de polarização direta entre Lula e um candidato bolsonarista.
Outro ponto ressaltado pelo colunista é a estabilidade do presidente Lula. De acordo com ele, Lula apresenta consistência tanto na intenção de voto quanto na avaliação de governo, criando um cenário duplo: é difícil que o presidente perca apoio de forma abrupta, mas também é difícil que amplie significativamente seu eleitorado. Para romper esse teto eleitoral, afirmou Paulino, o governo precisaria transformar indicadores positivos da economia — como o crescimento do PIB — em uma percepção concreta de melhora no dia a dia da população.
Espaço limitado para a direita moderada
Paulino observou que os nomes identificados como direita moderada — como Caiado, Zema e Ratinho Júnior — somam hoje algo entre 12% e 13% das intenções de voto. Esse eleitorado, segundo ele, tende a migrar quase integralmente para o candidato bolsonarista em um eventual segundo turno, reduzindo as chances de crescimento para figuras mais centristas.
Os dados do Paraná Pesquisas pintam um quadro de polarização intensa e estabilidade eleitoral, com Lula atingindo seu limite de crescimento e Flávio Bolsonaro capitalizando o legado familiar. A eleição de 2026 promete ser uma das mais disputadas da história recente, com empates técnicos e transferências automáticas de votos moldando o cenário político.