Paes e PL de Castro abrem corrida por apoio do Centrão em clima de campanha eleitoral
Em lados opostos no pleito de outubro, o prefeito carioca Eduardo Paes e o círculo próximo ao governador Cláudio Castro tentam obter em troca a colaboração em vitais redutos do estado do Rio de Janeiro. A disputa pelo apoio do Centrão, grupo cada vez mais relevante no tabuleiro da política nacional, já se faz sentir nas costuras e alianças regionais que irão definir o cenário eleitoral.
Disputa por cargos estratégicos em um cenário político único
Diante de uma disponibilidade inédita de valiosas vagas na estrutura administrativa, Paes, candidato ao Palácio Guanabara pelo PSD, e os aliados de Castro, do PL, acenam a lideranças do União Brasil, PP, Republicanos e MDB com vistosas cadeiras em um futuro governo. A ideia é obter em troca apoio em regiões onde reina o Centrão, especialmente em municípios controlados por essas siglas.
No rol dos bons cargos, além da composição da chapa majoritária, que no caso do Rio abrange governador, vice e dois senadores, entraram no toma lá dá cá outros postos-chave deixados vagos pela peculiar realidade local. A presidência da Assembleia Legislativa ficou disponível após o afastamento de Rodrigo Bacellar, e o governo do estado será desocupado após o Carnaval, quando Castro planeja concorrer ao Senado.
Articulações e indefinições no campo político
Nas hostes do PL, há grande preocupação em formar um palanque forte para o presidenciável Flávio Bolsonaro no terceiro maior colégio eleitoral do país. No entanto, as articulações ainda não chegaram a um consenso sobre o melhor quadro para batalhar com Paes, até agora o favorito nas pesquisas. O partido não definiu se o candidato ao mandato-tampão será o mesmo a concorrer em outubro ou se cederá aos desejos de Castro.
Em meio às indefinições, quem tem ganhado força nos bastidores é o deputado estadual Douglas Ruas, do PL. Atual secretário das Cidades, ele vem demonstrando boa capacidade de articulação junto aos prefeitos do Rio e é visto como um nome com traquejo político e postura linha-dura, o que ressoa bem no eleitorado de direita.
Estratégias de Paes para conquistar espaço
Apesar dos levantamentos que o situam na dianteira, Paes não joga parado e sabe estar diante de um delicado equilíbrio. Aliado de Lula, ele encara a árdua tarefa de manter o apoio do PT, sem grudar demais sua imagem à esquerda, ao mesmo tempo que precisa conquistar espaço entre políticos à direita, que o ajudem a agitar a bandeira do combate à criminalidade.
Com conversas adiantadas com PDT, PSDB e Cidadania, o prefeito fez chegar a Ruas a lembrança de que uma derrota deixaria o promissor político sem mandato por quatro anos. Paes sinalizou inclusive com a presidência da Alerj na próxima legislatura e se comprometeu a destinar recursos para São Gonçalo, buscando expandir sua base eleitoral.
O papel crucial do Centrão na disputa
Ao todo, as grandes agremiações do Centrão agora em disputa ocupam 44 das prefeituras fluminenses, sendo o PP o campeão delas no grupo, no comando de dezessete municípios. Por isso, vem sendo tão cortejado por ambos os lados. Enquanto Paes ventila a possibilidade de reservar o posto de vice para mandachuvas da legenda, o PL apela para sua natural afinidade com o Centrão, lembrando que antes da chegada de Bolsonaro, era um dos maiores partidos do grupo.
O leilão de posições está posto e promete emoções, com negociações intensas que podem definir alianças cruciais antes mesmo do início oficial da campanha eleitoral. A política fluminense se mostra como um mercado em que a moeda corrente é a palavra, e todos os lados estão atentos às oportunidades que surgem nesse cenário dinâmico.