Corrida pelo Centrão no Rio: Paes e PL disputam apoio com oferta de cargos-chave
A disputa eleitoral pelo governo do Rio de Janeiro em 2026 está ganhando contornos intensos, com o prefeito Eduardo Paes, do PSD, e o Partido Liberal, liderado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e pelo governador Cláudio Castro, em uma corrida acirrada para conquistar o apoio do Centrão. Partidos como União Brasil, PP, MDB e Republicanos são considerados fundamentais nessa batalha, especialmente para angariar aliados fora da capital, onde dois terços do eleitorado estão concentrados na região metropolitana e no interior do estado.
Moeda de troca: cargos em jogo redefinem cenário político
A principal moeda de troca nessas negociações são os cargos públicos, que atingem um número sem precedentes na história política fluminense. Além das vagas tradicionais, como governador, vice-governador e as duas cadeiras para o Senado, reviravoltas na Justiça colocaram em disputa três posições no Tribunal de Contas do Estado, o comando da Assembleia Legislativa e um mandato-tampão no governo. As suplências para o Senado também são alvo de cobiça, uma vez que, diferentemente de outras casas legislativas, os suplentes são definidos previamente pelos partidos e podem assumir em caso de afastamento dos titulares.
Escândalos e prisões embaralham alianças e estratégias
O caminho que levou a eleição do Rio a um patamar tão expressivo em termos de poder e cargos é marcado por eventos turbulentos. Prisões e suspeitas de corrupção, em um estado com histórico de governadores presos no exercício do mandato, têm redefinido alianças políticas. O escândalo que mais impactou o tabuleiro político em 2026 envolve o deputado estadual Rodrigo Bacellar, do União Brasil, ex-presidente da Assembleia Legislativa, que foi preso preventivamente em dezembro por suspeita de vazar informações de uma operação da Polícia Federal.
A prisão de Bacellar, posteriormente convertida em domiciliar com tornozeleira eletrônica, não apenas interditou suas pretensões eleitorais ao governo, mas também inaugurou uma nova disputa pelo mandato-tampão que será aberto com a saída de Cláudio Castro. O governador pretende se desincompatibilizar do cargo até abril para tentar uma vaga no Senado, deixando o Rio sem vice-governador desde maio de 2025, quando Thiago Pampolha assumiu uma posição no Tribunal de Contas do Estado.
Vagas no TCE e sucessão na Alerj em foco
Além da corrida ao Palácio Guanabara, os partidos estão de olho em três cadeiras no Tribunal de Contas do Estado que devem ser abertas no próximo mandato. Conselheiros como José Gomes Graciosa e Marco Antônio Barbado de Alencar enfrentam processos por suspeita de corrupção e lavagem de dinheiro, com ações em fase final de tramitação no Superior Tribunal de Justiça. Outro caso emblemático é o de Domingos Brazão, acusado de envolvimento no assassinato da vereadora Marielle Franco, com processo pautado para fevereiro no Supremo Tribunal Federal.
A prisão de Bacellar também embaralhou a sucessão na Assembleia Legislativa, onde ele havia sido reeleito presidente por unanimidade em 2025 e tinha capital político para influenciar a escolha de um aliado no cargo em 2027. Com a interdição de suas pretensões, a definição do governador interino e a distribuição de cargos-chave tornam-se peças centrais em uma eleição que promete reconfigurar o cenário político do Rio de Janeiro.