Carrinhos de açaí e bolos viram febre no verão e formam filas de até 1 hora em praias
O verão não apenas transforma as paisagens das praias brasileiras, mas também impulsiona negócios à beira-mar. Em cidades turísticas, carrinhos de comida com identidade visual marcante, cardápios inovadores e forte presença nas redes sociais estão atraindo multidões de clientes, resultando em filas que podem durar até uma hora. Esses pequenos empreendedores estão alcançando faturamentos acima da média, demonstrando como a criatividade pode revolucionar setores tradicionais.
O sucesso do açaí rosa em Ubatuba
Em Ubatuba, no litoral norte de São Paulo, um carrinho de açaí totalmente rosa se destaca na Praia Grande. Ao invés do roxo tradicional da fruta, a empreendedora Simone Silva optou pelo pink em todos os detalhes, desde copos e colheres até guardanapos e a decoração do próprio negócio. “Todo mundo vendia açaí igual. Eu queria ser diferente”, explica Simone, que natural de Três Corações (MG), se mudou para a cidade após anos trabalhando em uma rede de supermercados.
A ideia de personalizar tudo surgiu logo no início, ainda com um carrinho pequeno, e o resultado foi imediato. “Deu muito certo”, afirma ela. Inicialmente, Simone tentou vender marmitas na praia para sobreviver à primeira temporada, o que a ajudou a comprar o primeiro carrinho de açaí. Hoje, ela possui dois carrinhos, trabalha com seus três filhos e fatura, em média, R$ 7 mil por mês por unidade.
Os copos variam de 300 ml a 1 litro, com preços entre R$ 20 e R$ 40, acima da média da concorrência. Mesmo assim, nos fins de semana, a fila pode chegar a uma hora de espera. “Não quero que meus clientes me procurem pelo preço, mas pela qualidade”, destaca Simone. O diferencial está nos acompanhamentos, nas frutas sempre frescas e na constante inovação do cardápio, com novas surpresas a cada semana.
Clientes fiéis, como a turista Vitória da Silva, confirmam o apelo: “A barraca chama atenção, é bonita, bem decorada. A gente provou e voltou”. Para Simone, o negócio é hoje a única fonte de renda, e ela se emociona ao dizer: “Eu sobrevivo disso aqui. Em termos de pobre… hoje eu sou rica”. Para este verão, a expectativa é crescer ainda mais, com filas que possam atingir de 100 a 300 pessoas.
O vulcão de bolos viral em Maceió
Na orla de Maceió, em Alagoas, outro carrinho também se tornou uma atração. O “vulcão de bolos”, comandado por Larissa Barbosa e Willian Soares, chama atenção pelas caldas que escorrem sobre bolos decorados na hora, criando um verdadeiro espetáculo visual. O casal chegou à capital alagoana em lua de mel, mas decidiu ficar de vez, vindo de São Paulo.
Eles investiram no novo negócio em 2025, após perceberem o sucesso dos bolos que Larissa fazia em casa. “Começou numa madrugada, de vontade de comer bolo. Fiz, ele gostou, distribuímos para os vizinhos e o retorno foi imediato”, conta Larissa. O investimento inicial foi baixo: R$ 150 em alimentos, além de uma fritadeira elétrica, uma geladeira e R$ 4,5 mil no carrinho.
No início, vendiam sete bolos por dia; hoje, chegam a 300 unidades diárias. Os bolos custam R$ 10 e podem ser de baunilha, chocolate ou misto, com diversas coberturas e confeitos. Larissa assa tudo em casa e finaliza no carrinho, de acordo com o gosto do cliente. A explosão nas vendas veio com a internet, quando vídeos gravados por amigos começaram a circular nas redes sociais, mostrando as filas e as reações dos clientes.
“Viralizou, e a gente precisou se reinventar também no digital”, explica Willian. Muitos clientes agora chegam após ver os vídeos, como a cliente Rosana Marinho, que compra bolos para a família e para presentear, afirmando: “O que é bom tem que espalhar”.
Criatividade como diferencial no verão
Os dois exemplos ilustram como, no verão, criatividade, identidade visual e bom atendimento fazem a diferença, mesmo em negócios aparentemente simples. Carrinhos que apostam em experiência, qualidade e divulgação eficaz conseguem se destacar em meio à concorrência, transformando a alta temporada em uma oportunidade de crescimento significativo.
Esses empreendedores demonstram que, com inovação e presença nas redes sociais, é possível criar febres que atraem filas intermináveis e garantem sucesso financeiro, enriquecendo não apenas suas vidas, mas também a experiência dos turistas nas praias brasileiras.