Diretora e vice-diretora de escola no DF são indiciadas por maus-tratos a crianças autistas
Diretora e vice-diretora indiciadas por maus-tratos a crianças no DF

Gestoras de escola no DF são indiciadas por maus-tratos a crianças de 3 e 4 anos

A Polícia Civil do Distrito Federal indiciou a diretora e a vice-diretora da Escola Classe 03 da Estrutural por maus-tratos contra crianças de 3 e 4 anos de idade. O inquérito foi encaminhado ao Ministério Público para análise, após investigações que revelaram práticas consideradas abusivas no ambiente escolar.

Denúncias antigas e continuidade no cargo

Segundo relatos dos pais, as denúncias contra as gestoras foram feitas há dois anos, mas ambas continuam trabalhando na instituição. As investigações apontam que crianças, principalmente aquelas com transtorno do espectro autista, eram levadas para uma sala conhecida como "sala das emoções" quando choravam.

Descrição da "sala das emoções" e relatos traumáticos

Relatos de 2024 descrevem a sala como um espaço pequeno, com tatames pretos no chão e nas paredes, e uma janela fechada com película escura. Uma mãe, Paula Cristina, contou à polícia que seu filho desenvolveu traumas e dificuldades após ser colocado nesse ambiente.

"Ele gritava quando ficava no escuro", relatou a mãe, destacando o impacto emocional sofrido pela criança.

Versão das gestoras e contradições

Em depoimento, a diretora afirmou que a sala foi criada com base em um projeto pedagógico aprovado pela comunidade escolar, chamado "o coração que sente e fala", destinado a acolher estudantes em momentos de desregulação emocional. Ela disse que as crianças ficavam entre cinco e dez minutos, sempre acompanhadas por um professor, e que os responsáveis foram informados em reunião.

No entanto, os pais negam ter recebido qualquer aviso sobre a existência ou uso da sala, criando uma clara contradição nas versões apresentadas.

Conclusão da polícia e abuso de autoridade

Na conclusão do inquérito, a Polícia Civil afirma que as diretoras ultrapassaram os limites do poder pedagógico, expondo as crianças a perigos para a saúde e vida. O relatório policial acusa as gestoras de abusar de meios de correção, caracterizando a conduta como maus-tratos.

Posicionamento da Secretaria de Educação

A Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SEEDF) emitiu uma nota informando que o caso já havia sido objeto de apuração administrativa, resultando em arquivamento. Contudo, diante das novas informações divulgadas pela imprensa, a secretaria determinou a reação imediata de providências para reexaminar o caso.

A SEEDF afirmou que solicitará acesso ao inquérito policial e promoverá interlocução com o Ministério Público, reafirmando seu compromisso com a proteção dos alunos e a apuração rigorosa de denúncias.

Contexto e preocupações sociais

Este caso levanta sérias questões sobre a supervisão em instituições educacionais e a proteção de crianças vulneráveis, especialmente aquelas com necessidades especiais. A demora na resposta às denúncias e a permanência das gestoras no cargo destacam falhas nos mecanismos de fiscalização.

A comunidade local e autoridades seguem atentas ao desdobramento do processo, que pode influenciar políticas públicas de segurança e bem-estar no ambiente escolar.