Paralisação de ônibus da Expresso Rei de França afeta 15 linhas em São Luís
Greve de rodoviários paralisa ônibus da Expresso Rei de França

Paralisação de ônibus da Expresso Rei de França afeta 15 linhas em São Luís

Na manhã desta segunda-feira (26), todos os ônibus da empresa Expresso Rei de França, antiga 1001, que circulavam na Grande São Luís desde o início do dia, foram recolhidos para a garagem. A medida ocorreu porque os empresários pagaram apenas uma parte dos rodoviários que estavam com os salários atrasados, levando a uma nova interrupção no serviço de transporte público.

Protesto por atrasos salariais e solidariedade entre trabalhadores

Na noite da última sexta-feira (23), os rodoviários do Expresso Rei de França haviam paralisado totalmente as atividades em protesto contra o atraso no pagamento de salários e benefícios. No domingo (25), parte dos trabalhadores começou a receber os valores devidos, o que permitiu que alguns coletivos voltassem a circular no início da manhã desta segunda.

No entanto, como o restante dos rodoviários ainda não havia sido remunerado, os trabalhadores que já haviam sido pagos decidiram cruzar os braços novamente em solidariedade aos colegas. Essa manifestação impacta diretamente a circulação de 15 linhas da Grande São Luís, incluindo os sistemas urbano e seminurbano.

Entre os bairros afetados pela paralisação estão Ipem Turu, Parque Vitória, Ribeira, Vila Isabel Cafeteira, Pedra Caída, Recanto Verde e Forquilha. A situação gera transtornos significativos para milhares de moradores que dependem do transporte público para seus deslocamentos diários.

Posicionamento do sindicato e alegações da empresa

De acordo com o presidente do Sindicato dos Rodoviários do Maranhão, Marcelo Brito, o movimento de greve não foi organizado pela entidade sindical, mas sim diretamente pelos funcionários da empresa. A motivação principal é a falta de pagamento do décimo terceiro salário, do tíquete-alimentação referente ao mês de dezembro e do adiantamento salarial de janeiro, que deveria ter sido depositado no último dia 20 deste mês.

Brito afirmou que a circulação total da frota de ônibus dependeria da regularização completa dos salários em atraso, o que não ocorreu até o momento. Por outro lado, o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de São Luís (SET) considerou a paralisação ilegal e abusiva, alegando que não havia sido comunicada oficialmente pelos trabalhadores.

Sobre o atraso nos pagamentos, o SET argumentou que não está recebendo integralmente o valor do subsídio que deveria ser pago pela Prefeitura de São Luís. Em documento enviado à Secretaria Municipal de Trânsito e Transporte (SMTT) no dia 8 de janeiro, a empresa demonstrou que estava pendente o pagamento de R$ 6.169.659,30 do subsídio referente a dezembro de 2025.

A prefeitura, em contrapartida, apresentou uma ordem de pagamento de R$ 4.746.862,44 referente à parcela do subsídio. Contudo, ainda falta aproximadamente R$ 1,4 milhão que deveria ter sido repassado ao SET, conforme acordos anteriores.

Histórico de paralisações e impasses com a prefeitura

Nos últimos dois meses, esta é a terceira paralisação dos rodoviários do Expresso Rei de França por conta de salários atrasados. A primeira greve começou em 14 de novembro do ano passado, quando a categoria protestou contra o atraso de salários e a falta de pagamento do plano de saúde, tíquete-alimentação e outros benefícios.

Essa primeira interrupção durou 12 dias, terminando em 26 de novembro, após a regularização dos salários por determinação do Tribunal Regional do Trabalho da 16ª Região (TRT-MA). O tribunal obrigou a Prefeitura de São Luís a realizar o pagamento integral de um subsídio destinado às empresas de transporte público.

O impasse persiste porque a prefeitura alega que os subsídios não são diretamente repassados aos motoristas para pagamento de salários, conforme acordo anterior. Por isso, o município não estava pagando 100% do subsídio, mas apenas 80%, argumentando que os empresários também colocam apenas 80% dos ônibus para circular.

Apesar das alegações, o desembargador Luiz Cosmo da Silva Júnior rejeitou a proposta do município de realizar depósito dos subsídios em uma conta na Justiça. O magistrado decidiu que o repasse deve seguir os termos do Acordo Judicial firmado entre a Prefeitura e o SET em 2024, que indica o pagamento diretamente ao Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de São Luís.

A segunda paralisação ocorreu em 24 de dezembro, véspera do Natal, quando a categoria afirmou não ter recebido o 13º salário, o adiantamento salarial e o ticket alimentação. Ao todo, 162 veículos deixaram de circular, retornando apenas no dia 28 de dezembro após um acordo entre a categoria e o SET.

Negociações para convenção coletiva e perspectivas futuras

Em novembro de 2025, o Sindicato dos Rodoviários do Maranhão encaminhou ao SET uma proposta de Convenção Coletiva de Trabalho para o ano de 2026. Desde o início do ano, as entidades realizam reuniões, mas, segundo o Sindicato dos Trabalhadores, nenhuma contraproposta que atenda às reivindicações da categoria foi apresentada.

De acordo com Marcelo Brito, não houve avanços significativos nas negociações. A única proposta apresentada pela patronal foi a criação de convenções coletivas distintas para os trabalhadores do sistema urbano e do semiurbano, o que foi rejeitado pelo Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários no Estado do Maranhão (STTREMA).

Brito alerta que o prazo para o fechamento da nova convenção coletiva está se encerrando. Caso não haja acordo, os rodoviários avaliam que uma paralisação de todo o sistema de transporte público da Grande São Luís pode ser adotada, o que ampliaria ainda mais os impactos na mobilidade urbana da região.

A situação evidencia a crise crônica no transporte público de São Luís, com reflexos diretos na qualidade de vida da população e na economia local. Enquanto as negociações não avançam, milhares de usuários continuam enfrentando dificuldades para se deslocar pela cidade.