Montadora chinesa e cantor são incluídos em cadastro nacional por violações trabalhistas graves
A montadora chinesa BYD e o cantor Amado Batista foram oficialmente inseridos nesta segunda-feira (6) na chamada lista suja do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), um registro que compila pessoas físicas e jurídicas acusadas de submeter trabalhadores a condições consideradas análogas à escravidão. A inclusão ocorre após investigações detalhadas que revelaram situações alarmantes em diferentes regiões do Brasil.
Casos específicos de violações trabalhistas
No caso da BYD, a entrada na lista suja acontece aproximadamente um ano e meio após o resgate de trabalhadores chineses em condições precárias nas obras da nova fábrica da empresa em Camaçari, na Bahia. Segundo a fiscalização do MTE, 163 empregados foram submetidos a um regime análogo à escravidão, com auditores identificando indícios de fraudes em documentos apresentados às autoridades migratórias, o que facilitou a entrada ilegal desses trabalhadores no país.
As condições encontradas incluíam:
- Empregados dormindo em camas sem colchões e sem armários para guardar pertences.
- Em um dos alojamentos, havia apenas um banheiro para 31 pessoas.
- Jornadas de trabalho de, no mínimo, dez horas diárias, sem concessão de folgas regulares.
- Um trabalhador acidentado relatou ter ficado 25 dias consecutivos sem descanso.
Procurada por email na terça-feira (7), a BYD não respondeu aos questionamentos sobre o caso.
Resposta de Amado Batista e situação em Goiás
Já o cantor Amado Batista ingressou no cadastro do MTE após a fiscalização apontar que 14 trabalhadores foram submetidos a condições análogas à escravidão em dois sítios localizados em Goiás. Em nota, a assessoria do artista afirmou que as informações sobre o suposto resgate são falsas e que os funcionários continuam atuando normalmente na propriedade.
Segundo a equipe do cantor, foram identificadas irregularidades na contratação de quatro empregados vinculados a uma empresa terceirizada, e medidas já estão sendo tomadas para encerrar a autuação. No entanto, a inclusão na lista suja ocorre apenas quando não há mais possibilidade de recurso do auto de infração, por decisão administrativa dentro do MTE.
Consequências e acordos anteriores
Em janeiro, a BYD e duas empresas terceirizadas responsáveis pela construção da fábrica firmaram um acordo de R$ 40 milhões com o Ministério Público do Trabalho (MPT). Esse valor será dividido entre os trabalhadores resgatados e um fundo para pagamento futuro de dano moral coletivo, encerrando a ação civil pública do MPT. Contudo, esse acordo não é suficiente para excluir a montadora da lista suja.
O cadastro, embora não provoque bloqueios financeiros diretos, é amplamente utilizado por empresas e pelo setor financeiro para gerenciamento de riscos, como na aprovação de financiamentos. Na prática, pode afetar significativamente o acesso a crédito, especialmente de bancos públicos. A lista é reconhecida pela Organização das Nações Unidas (ONU) como um dos instrumentos mais relevantes no combate ao trabalho escravo em nível global.
Esses casos destacam a importância da fiscalização contínua e das medidas legais para proteger os direitos trabalhistas no Brasil, reforçando o compromisso com a erradicação de práticas exploratórias no mercado de trabalho.



