Mapa dos investimentos para 2026: como diversificar em ano de eleições e incertezas globais
Investimentos em 2026: diversificação contra eleições e riscos

Mapa dos investimentos para 2026: como diversificar em ano de eleições e incertezas globais

Diante de um cenário repleto de incertezas, como as eleições presidenciais no Brasil e a imprevisibilidade do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, os investidores enfrentam um ano desafiador em 2026. Fundos multimercado, conhecidos por sua flexibilidade, estão adotando estratégias de diversificação máxima, servindo como um valioso parâmetro para pessoas físicas que buscam proteger suas carteiras contra turbulências.

Estratégias de diversificação em meio a volatilidade

Os fundos multimercado entram em 2026 com uma alocação balanceada, destinando 60% do patrimônio ao Brasil e 40% ao exterior. No mercado doméstico, a exposição é composta por 25% em renda fixa e 35% em renda variável, um ajuste significativo em relação ao ano anterior. Com a desaceleração econômica e a queda da inflação, que deve ficar abaixo do teto da meta, os ativos de renda variável ganham destaque, explica Fernando Monteiro, gestor da Bradesco Asset Management.

Especialistas recomendam papéis de setores defensivos, como grandes bancos e concessionárias de saneamento e energia elétrica, que oferecem abrigo contra solavancos políticos. Anos eleitorais são tradicionalmente voláteis, e 2026 promete uma dose extra de emoção, como visto em movimentos recentes do Ibovespa.

Impacto das eleições e ajuste fiscal

O mercado financeiro está atento aos candidatos presidenciais, com expectativas de compromisso com o ajuste fiscal. A candidatura de Flávio Bolsonaro, por exemplo, gerou preocupações devido ao risco de continuidade do populismo fiscal. O mercado não dará o benefício da dúvida para Lula outra vez, afirma Getúlio Ost, gestor da SulAmérica Investimentos, referindo-se ao crescimento da dívida pública.

Se o vencedor das eleições não assumir um firme compromisso com as contas públicas, os gestores podem repensar a exposição à bolsa, inclusive operando com posições vendidas em derivativos para lucrar com possíveis quedas.

Alocação internacional e proteção com ouro

No exterior, os fundos diversificam suas aplicações, reduzindo a exposição aos Estados Unidos para 20% da carteira. Desse montante, 15% estão em ETFs de índices como o S&P 500, e 5% em ações de empresas de tecnologia, especialmente as ligadas à inteligência artificial. É possível separar o joio do trigo no mercado de IA, observa Fabio Zaclis, gestor da Daycoval Asset.

Fora dos EUA, ETFs europeus, como o Stoxx 600, recebem cerca de 10% dos investimentos, enquanto moedas alternativas, como o euro e o dólar australiano, ocupam até 5%. O ouro continua como uma importante proteção contra instabilidade geopolítica, merecendo 5% do portfólio. O ouro continuará uma reserva de valor atraente para 2026, destaca Marcelo Bacelar, da Azimut Brasil Wealth Management.

Lições de flexibilidade para investidores

A estratégia All Weather Portfolio, popularizada por Ray Dalio, enfatiza a importância de reagir com rapidez e flexibilidade às mudanças de cenário. Em um ano imprevisível como 2026, essa abordagem é crucial para evitar perdas. Quem vive pela bola de cristal comerá cacos de vidro, lembra o ditado, reforçando a necessidade de planejamento detalhado.

Os investidores brasileiros devem acompanhar de perto essas lições, adaptando suas carteiras para resistir a turbulências e otimizar ganhos, independentemente dos desafios que o ano possa trazer.