Grupo Fictor pede recuperação judicial no TJ-SP após crise de liquidez
Fictor pede recuperação judicial no TJ-SP

O Grupo Fictor, uma holding de participação e investimentos com atuação em diversos setores da economia, protocolou um pedido de recuperação judicial no Tribunal de Justiça de São Paulo. A medida, que abrange a Fictor Holding e a Fictor Invest, visa reestruturar dívidas que somam aproximadamente R$ 4 bilhões, em um contexto marcado por uma crise de liquidez atribuída ao episódio envolvendo o Banco Master.

O papel de Rafael Góis na trajetória da empresa

À frente da Fictor desde sua fundação em 2007, Rafael Góis, sócio e CEO do grupo, construiu uma carreira de mais de 25 anos no mundo dos negócios. Com formação em Administração de Empresas pela Universidade Candido Mendes, onde se graduou em 2000, Góis tem experiência em áreas como indústria, tecnologia, setor imobiliário e finanças.

Inicialmente focada em tecnologia, a empresa passou por uma transformação significativa ao longo dos anos, estruturando-se como uma holding que reúne negócios em segmentos como alimentos, infraestrutura, energia, comercialização de commodities e serviços financeiros. Sob a liderança de Góis, o grupo diversificou suas operações, estabelecendo sede em São Paulo e expandindo sua presença para diferentes regiões do Brasil.

Expansão internacional e formação executiva

Nos últimos anos, a Fictor ampliou sua atuação além das fronteiras nacionais. Em 2024, a empresa abriu um escritório em Lisboa, com foco em projetos de infraestrutura e energia. Em abril de 2025, anunciou a instalação de sua primeira sede nos Estados Unidos, em Miami, marcando o início formal das operações no mercado americano.

Desde 2025, Rafael Góis integra o Owner/President Management Program (OPM) da Harvard Business School, um programa executivo voltado a proprietários e presidentes de empresas. A iniciativa tem como objetivo desenvolver habilidades em inovação, crescimento sustentável e expansão global, refletindo as ambições internacionais do grupo.

O envolvimento com o Banco Master e a crise de liquidez

A Fictor ganhou projeção nacional no final de 2025, quando um consórcio liderado por um de seus sócios anunciou uma proposta para adquirir o Banco Master. No entanto, um dia após o anúncio, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição financeira, suspendendo a operação.

Em comunicado, o grupo atribuiu a crise de liquidez diretamente a esse episódio. A empresa afirmou que, após a decisão do Banco Central, passou a enfrentar especulações e um grande volume de notícias negativas, o que impactou significativamente a saúde financeira da Fictor Holding e da Fictor Invest.

A proposta de aquisição estava condicionada à análise e aprovação prévia dos órgãos reguladores, e o grupo destacou que permaneceu à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos. No entanto, o desfecho do caso gerou consequências graves para a estabilidade financeira da holding.

Detalhes do pedido de recuperação judicial

O pedido de recuperação judicial protocolado no TJ-SP busca equilibrar as operações do grupo e assegurar o pagamento de compromissos financeiros. A empresa solicitou à Justiça um prazo de 180 dias para a suspensão de cobranças e bloqueios, com a intenção de quitar as dívidas sem deságio.

É importante ressaltar que a recuperação judicial não inclui as subsidiárias do Grupo Fictor, que devem manter suas rotinas e contratos normalmente. O objetivo declarado pela empresa é evitar que empresas economicamente viáveis sejam impactadas por restrições típicas do processo recuperacional.

Impactos e perspectivas futuras

A medida reflete os desafios enfrentados por grandes conglomerados em cenários de instabilidade financeira. Com operações em setores estratégicos como alimentos, infraestrutura e serviços financeiros, a recuperação judicial do Grupo Fictor pode ter repercussões significativas no mercado brasileiro.

A trajetória de Rafael Góis e a expansão internacional da empresa demonstram uma ambição de crescimento que agora se vê confrontada com a necessidade de reestruturação. O desfecho desse processo judicial será crucial para determinar o futuro da holding e sua capacidade de manter as operações em múltiplos fronts empresariais.