Grupo Fictor, que tentou comprar Banco Master, pede recuperação judicial com dívida de R$ 4 bilhões
Fictor pede recuperação judicial após tentar comprar Banco Master

Grupo Fictor entra com pedido de recuperação judicial após crise financeira

O Grupo Fictor, que ganhou notoriedade em novembro do ano passado ao aparecer em uma operação de compra do Banco Master um dia antes de o banco ser liquidado, protocolou no domingo, 1º de fevereiro, junto ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), pedido de recuperação judicial. A medida busca proteger a Fictor Holding e a Fictor Invest contra credores, com um valor total da dívida estimado em R$ 4 bilhões.

Impacto da liquidação do Banco Master na reputação do grupo

Em comunicado oficial, o grupo atribuiu suas dificuldades financeiras diretamente à liquidação do Banco Master. Segundo a Fictor, o anúncio do Banco Central (BC) um dia após sua oferta pela instituição "atingiu duramente a reputação do grupo", gerando um grande volume de notícias negativas e especulações de mercado que comprometeram a liquidez das empresas. A empresa, conhecida por ter sua marca estampada na camisa do Palmeiras, afirmou ter faturado R$ 3,5 bilhões em 2024, mas enfrenta prejuízos significativos, como os R$ 620 mil registrados pela Fictor Alimentos no primeiro trimestre.

Detalhes do pedido de recuperação judicial

O pedido de recuperação judicial inclui a suspensão e o bloqueio de dívidas por um prazo de 180 dias para a holding e a Fictor Invest. As demais subsidiárias não entraram no pedido e devem continuar operando normalmente, conforme estratégia para evitar que empresas economicamente viáveis sejam afetadas por restrições processuais. O grupo pretende quitar todas as dívidas sem deságio, negociando apenas prazos de recebimento, em um esforço para "garantir a continuidade das atividades de forma sustentável".

Decisões judiciais anteriores e bloqueios de ativos

Antes do pedido de recuperação, o grupo já enfrentava pressões legais. Na semana passada, a desembargadora Maria Lúcia Pizzotti, do TJ-SP, determinou o bloqueio cautelar de R$ 150 milhões da Fictor, revertendo um entendimento anterior. A medida visava preservar uma garantia em dinheiro prevista em contrato de cartões de crédito empresariais. Além disso, em 26 de janeiro, outro despacho judicial havia ordenado o bloqueio de R$ 7,3 milhões, citando "risco concreto de prejuízo aos credores" devido a atrasos reiterados e instabilidade financeira.

Ações judiciais e reestruturação interna

Desde o início do ano, a Fictor passou a enfrentar diversas ações judiciais movidas por investidores que alegam não ter recebido a rentabilidade mensal fixa prometida. Os processos indicam atrasos no resgate de valores e ausência de respostas a notificações extrajudiciais. Em resposta, o grupo implementou um plano de reestruturação, reduzindo sua estrutura física e número de funcionários, mas afirma ter feito isso antes da recuperação judicial para preservar os direitos dos trabalhadores.

Atuação e perspectivas futuras do Grupo Fictor

Fundado em 2007, o Grupo Fictor atua em setores como alimentos (proteína animal), energia, infraestrutura imobiliária e soluções de pagamento. De acordo com o advogado Carlos Deneszczuk, do escritório Dasa Advogados, que coordena o pedido de recuperação, os ativos operacionais seguem funcionando e a base produtiva permanece relevante. A principal subsidiária industrial, a Fictor Alimentos S.A., mantém unidades em Minas Gerais e Rio de Janeiro, sustentando uma cadeia de 3,5 mil empregos diretos e 10 mil indiretos.