Crise no Polo Industrial de Cubatão: Fechamento de Fábricas e Perda de Empregos Preocupa Setor
Crise em Cubatão: Fechamento de fábricas e perda de empregos

Crise no Polo Industrial de Cubatão: Fechamento de Fábricas e Perda de Empregos Preocupa Setor

O Polo Industrial de Cubatão, localizado no estado de São Paulo, enfrenta um momento crítico com o fechamento de fábricas e uma significativa perda de postos de trabalho. Este cenário alarmante tem mobilizado autoridades do setor industrial, que buscam apoio urgente do governo federal. Uma reunião está marcada para terça-feira, 3 de março, em Brasília, com o vice-presidente Geraldo Alckmin, do PSB, para discutir soluções para a crise.

Impacto Histórico e Estratégico do Polo

O Polo Industrial de Cubatão é um referência nacional nos setores de petroquímica, siderurgia, química e fertilizantes, reunindo cerca de 25 grandes empresas. Sua localização estratégica, próxima ao Porto de Santos e ao Sistema Anchieta-Imigrantes, confere-lhe um papel vital na economia de São Paulo e do Brasil como um todo.

No entanto, a região tem sofrido uma drástica redução em sua força de trabalho. Segundo Herbert Passos Filho, presidente do Sindicato dos Químicos da Baixada Santista, aproximadamente 7 mil postos de trabalho foram perdidos nos últimos 25 anos. Ele detalha que o número de trabalhadores diretos caiu de cerca de dez mil para apenas três mil, um declínio expressivo que reflete a gravidade da situação.

Fechamentos Recentes e Causas da Crise

Somente no último ano, mais de 650 empregos diretos foram eliminados devido ao encerramento de operações de empresas-chave. As principais causas apontadas incluem:

  • Competitividade internacional: As empresas nacionais enfrentam dificuldades devido a tributações elevadas e custos de matéria-prima, que as tornam menos competitivas frente a importações.
  • Isenção de tributos em produtos importados: Isso compromete a produção local, sujeita a impostos estaduais e interestaduais.
  • Controle de preços da matéria-prima: Os valores praticados no mercado internacional são frequentemente mais baixos, pressionando as indústrias brasileiras.

Herbert Passos Filho alerta que essa perda de competitividade tem levado o Brasil a importar cerca de 90% do seu consumo em alguns setores, ameaçando a soberania produtiva do país.

Casos Específicos de Fechamento

As empresas que anunciaram o fim de operações ou reduções significativas incluem:

  1. Yara Brasil: Fechou duas fábricas internas em Cubatão, resultando na perda de aproximadamente 500 funcionários diretos. A empresa justificou a paralisação da produção de fertilizantes fosfatados e ácido sulfúrico, mas afirmou que a cidade continua estratégica para suas operações de nitrogênio.
  2. Unigel: Anunciou o fim das operações em Cubatão para o início de 2026, afetando cerca de 80 trabalhadores diretos e 80 terceirizados. A decisão foi atribuída a um ciclo de baixa sem precedentes na indústria química global.
  3. Olin: Localizada em Guarujá, a empresa interromperá as operações até março, com cerca de 80 trabalhadores e 30 terceirizados impactados. Altos custos locais, desafios regulatórios e excesso de capacidade global foram citados como motivos.

Busca por Soluções e Envolvimento Político

Diante do risco de desindustrialização, representantes da indústria química enviaram uma carta ao vice-presidente Geraldo Alckmin em 23 de janeiro, pedindo uma solução para o Regime Especial da Indústria Química (REIQ) em 2026. O setor também expressou preocupação com a soberania produtiva nacional e solicitou alternativas após vetos ao Programa Especial de Sustentabilidade da Indústria Química (Presiq).

O prefeito de Cubatão, César Nascimento, do PSD, reuniu-se com sindicatos e associações da indústria química em 28 de janeiro para alinhar as pautas a serem apresentadas em Brasília. Ele enfatizou a importância de defender a indústria como forma de proteger a soberania do país, a manutenção de empregos e a geração de renda.

A reunião marcada com o vice-presidente Alckmin tem como objetivo discutir medidas de apoio concretas para garantir a competitividade e sustentabilidade da produção química no Brasil, em um esforço conjunto para reverter a crise que assola o Polo Industrial de Cubatão.