Mercado reduz projeção de inflação para 2026 em semana decisiva do Copom e Fed
Em uma semana crucial para a economia global, marcada pela chamada Super Quarta, quando o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil e o Federal Reserve dos Estados Unidos anunciarão suas decisões sobre as taxas de juros, o mercado financeiro revisou para baixo sua previsão de inflação para o ano de 2026. Segundo o Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira, 26 de janeiro de 2026, a expectativa de inflação caiu de 4,02% para 4%, mantendo uma trajetória de ajustes consecutivos.
Terceira semana consecutiva de cortes nas projeções
Esta é a terceira semana seguida em que as instituições financeiras consultadas pelo Banco Central reduzem suas estimativas para a inflação deste ano. A nova projeção de 4% coloca a inflação prevista abaixo do teto da meta, estabelecido em 4,5%, mas ainda acima do centro da meta, que é de 3%. O levantamento contou com a participação de 151 instituições, reforçando a representatividade dos dados em um momento de alta atenção dos investidores.
Contexto emblemático da Super Quarta
O resultado ganha ainda mais relevância por coincidir com a primeira Super Quarta do ano, um evento que reúne as decisões de política monetária de duas das maiores economias do mundo. As reuniões do Copom e do Federal Reserve, cujos anúncios estão previstos para o dia 28 de janeiro, definirão os rumos das taxas de juros no Brasil e nos Estados Unidos, influenciando diretamente o cenário inflacionário e as expectativas do mercado.
Estabilidade nas projeções de juros e inflação futura
Apesar da queda nas estimativas de inflação para 2026, as instituições financeiras não alteraram suas projeções para a taxa básica de juros, a Selic. Pela quinta semana consecutiva, o Focus mantém a previsão de que a Selic encerrará o ano em 12,25%. Para os anos seguintes, o cenário também se mostra estável:
- A inflação esperada para 2027 permanece em 3,80% pela décima segunda semana consecutiva.
- Para 2028, a projeção é de uma alta de 3,50%, ainda acima do centro da meta de 3%.
- Em 2029, a expectativa se mantém em 3,50%, indicando uma persistência de pressões inflacionárias no longo prazo.
Implicações para os cortes de juros
Com essas projeções, os analistas do mercado enxergam pouca margem para cortes substanciais nas taxas de juros nos próximos anos. As expectativas para a Selic em 2027, 2028 e 2029 são, respectivamente, de 10,50%, 10% e 9,50%, refletindo um cenário de cautela diante das incertezas inflacionárias. Essa estabilidade nas previsões sugere que, embora a inflação esteja controlada abaixo do teto, a proximidade com o centro da meta ainda exige atenção contínua das autoridades monetárias.