Ibovespa tem janeiro impressionante com alta de 13% enquanto Fed gera incertezas
Ibovespa tem janeiro impressionante com alta de 13%

Ibovespa fecha janeiro com desempenho histórico enquanto incertezas do Fed abalam mercados

O mês de janeiro de 2026 ficará marcado na memória dos investidores brasileiros pelo desempenho excepcional do Ibovespa, que acumulou uma valorização impressionante de mais de 13%. Esse resultado supera amplamente os ganhos modestos de cerca de 1% registrados pelos índices americanos S&P 500 e Nasdaq no mesmo período, destacando uma migração significativa de recursos para mercados emergentes.

Fuga para emergentes e o papel dos estrangeiros

O fenômeno por trás dessa alta robusta está diretamente ligado ao movimento de investidores estrangeiros, que redirecionaram capitais para economias como a do Brasil. O receio de que a valorização dos ativos nos Estados Unidos tenha sido exagerada, combinado com políticas econômicas duvidosas do presidente Donald Trump, incentivou essa busca por oportunidades em mercados com maior potencial de retorno.

Essa sequência de quinze altas seguidas do Ibovespa não era observada desde 1994, um marco histórico que reflete a confiança renovada no cenário brasileiro, mesmo diante de turbulências globais.

Anúncio do novo Fed e suas repercussões

Nesta sexta-feira, 30 de janeiro, os mercados enfrentam um dia de volatilidade, impulsionado pelo anúncio de Trump sobre o novo presidente do Federal Reserve (Fed). Após um ano de críticas públicas a Jerome Powell, o atual chefe do banco central americano, as apostas indicam que Kevin Warsh, ex-dirigente durante a gestão de Ben Bernanke na crise financeira, assumirá o cargo.

No entanto, a independência de Warsh para resistir às pressões de Trump por cortes de juros nos Estados Unidos permanece uma incógnita, gerando incertezas que contribuíram para as quedas observadas nos futuros americanos e no fundo EWZ, que representa ações brasileiras em Nova York.

Quedas em Wall Street e o impacto das big techs

Além das questões políticas, a segunda razão para a negatividade em Wall Street vem dos números ambíguos das grandes empresas de tecnologia. Na quinta-feira, as ações da Microsoft despencaram quase 10%, refletindo o temor dos investidores com os gastos em inteligência artificial versus a capacidade da empresa de expandir receitas.

Embora em menor magnitude, essa queda continuou no pré-mercado desta sexta, com a Apple também registrando recuos, mesmo após divulgar que as vendas de iPhone superaram as expectativas do mercado no final de 2025.

Agenda econômica e perspectivas futuras

O dia foi marcado por uma agenda econômica intensa, com destaque para a divulgação do PIB preliminar do quarto trimestre em vários países europeus, como França, Espanha, Alemanha e Itália, além da zona do Euro. Enquanto as bolsas europeias avançaram com esses dados, os Estados Unidos enfrentaram pressões adicionais com a publicação do Índice de Preços ao Produtor (PPI) de dezembro.

Em resumo, apesar da sexta-feira negativa, o janeiro do Ibovespa se consolida como um período de forte recuperação, impulsionado por fatores externos e pela resiliência do mercado brasileiro. Os investidores agora observam atentamente as decisões do novo Fed e seus possíveis efeitos sobre os juros globais, que poderão definir os rumos dos próximos meses.