O principal índice da bolsa brasileira, o Ibovespa, fechou esta quinta-feira, 15 de janeiro de 2026, em um novo patamar histórico, impulsionado por um cenário de alívio nos mercados internacionais e por dados positivos da economia doméstica.
Alívio Geopolítico e Estabilidade no Fed Impulsionam Otimismo
O Ibovespa avançou 0,26% e encerrou o pregão em 165,5 mil pontos, um recorde absoluto. Paralelamente, a moeda norte-americana recuou frente ao real, sendo negociada a R$ 5,36 no fechamento. O movimento foi sustentado por duas sinalizações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Primeiramente, Trump declarou que "o massacre no Irã está cessando", após um período de tensão e repressão a protestos no país. Essa fala acalmou os ânimos dos investidores, que vinham precificando um prêmio de risco geopolítico nas últimas semanas. "O anúncio sustentou o recuo do dólar ante ao real, em meio a um ambiente de apetite renovado", analisa Bruno Shahini, especialista da Nomad.
Em segundo lugar, o presidente americano sinalizou que não pretende demitir Jerome Powell do comando do Federal Reserve, o banco central dos EUA. A notícia foi recebida com alívio, pois reforça a percepção de independência da autoridade monetária mais importante do mundo, especialmente em um dia de divulgação de indicadores econômicos positivos nos Estados Unidos.
Reflexos no Petróleo e nas Bolsas Globais
O cenário de distensão com o Irã teve impacto direto nos preços do petróleo. Os futuros do barril do tipo Brent tiveram uma queda expressiva de 4,1%, sendo cotados a US$ 63,70 no final do dia. A redução do risco de conflitos na região, importante produtora de petróleo, aliviou a pressão sobre a commodity.
O otimismo gerado pelas declarações de Trump e pelos dados econômicos americanos contaminou positivamente as principais praças financeiras. As bolsas de valores de Nova York e da Europa registraram altas generalizadas, criando um vento favorável que também ajudou o Ibovespa a subir e atingir sua máxima histórica.
Economia Brasileira Mostra Força com Varejo em Alta
No front doméstico, a agenda econômica foi curta, mas trouxe uma surpresa positiva. As vendas do varejo avançaram 1% em novembro de 2025 na comparação com o mês anterior, superando as expectativas do mercado. O resultado indica que a economia brasileira segue aquecida, demonstrando resiliência mesmo em um ambiente de juros elevados.
Esse desempenho se refletiu no pregão. As ações de empresas do setor varejista figuraram entre as altas do dia, com destaque para a Magazine Luiza (MGLU3), que valorizou 4%. No segmento bancário, que tem grande peso no índice, a sessão foi mista. O Bradesco (BBDC4) liderou os ganhos, com alta de 2,05%, seguido pelo Itaú (ITUB4), que subiu 0,86%. Por outro lado, o Banco do Brasil (BBAS3) teve leve queda de 0,19%, e o Santander (SANB11) recuou fortemente, 2,47%.
O dia consolidou, portanto, uma combinação de fatores positivos: alívio nas tensões internacionais, manutenção da política monetária nos EUA e sinais de vigor na atividade econômica brasileira, criando o ambiente perfeito para o Ibovespa escrever seu nome no livro dos recordes.