A Justiça do Paraná condenou um casal pelos crimes de injúria racial e lesão corporal após um episódio de violência e discriminação ocorrido em Quedas do Iguaçu, no oeste do estado. Os réus, identificados como Geovani Gonçalves e Patrícia Cristina Korgenievski, agrediram física e verbalmente uma mulher nordestina em outubro de 2022.
Detalhes do crime de ódio em Quedas do Iguaçu
O incidente aconteceu em frente a uma distribuidora de bebidas no centro da cidade, após uma discussão motivada por divergências políticas, conforme apurou o Ministério Público do Paraná. A vítima, Liduina Paula da Silva, de 32 anos, foi abordada pelo casal, que questionou sua presença na localidade por ser nordestina.
Durante a agressão, foram proferidas ofensas xenofóbicas. Geovani Gonçalves disse que a mulher deveria "voltar para o Nordeste", afirmou que pagaria a passagem e fez comentários depreciativos sobre sua origem. Em seguida, as agressões se tornaram físicas.
Patrícia arremessou garrafas de cerveja contra Liduina, enquanto Geovani puxou seu cabelo e desferiu socos. Como consequência da violência, a vítima sofreu uma fratura na mão. Em seu relato, Liduina descreveu o momento de terror: "Algumas pessoas conseguiram tirar eles de cima de mim, mas ele saiu louco me procurando e falando alto no meio do povo que iria me matar".
Condenação e recurso da defesa
Em sua decisão, o juiz considerou que os crimes tiveram motivação discriminatória e que as agressões foram agravadas pelo contexto de intolerância. Geovani Gonçalves foi condenado por injúria racial e lesão corporal, recebendo pena de quatro anos e seis meses de prisão, a ser cumprida em regime semiaberto, além do pagamento de multa.
Patrícia Korgenievski foi condenada por lesão corporal, com pena de dois anos e seis meses, em regime aberto. O casal também foi condenado a indenizar a vítima por danos morais: ele pagará R$ 4 mil e ela, R$ 2 mil.
A defesa dos condenados informou que interpôs recurso de apelação. Em nota, alegou que a sentença ignorou provas que, segundo eles, comprovariam a inocência dos acusados. A defesa sustentou que a confusão foi iniciada pela própria vítima e que Geovani teria intervindo apenas para cessar as agressões, negando ainda a prática do crime de injúria racial.
Impacto e reflexão sobre crimes discriminatórios
Este caso ocorrido em Quedas do Iguaçu joga luz sobre a gravidade dos crimes de ódio e da violência motivada por preconceito regional. A condenação estabelece um precedente importante no combate à xenofobia e à intolerância dentro do território nacional.
A decisão judicial reforça que atos de discriminação e agressão com base na origem de uma pessoa são passíveis de punição severa, incluindo penas de prisão e reparação por danos morais. O episódio serve como um alerta para a necessidade contínua de educação e respeito à diversidade cultural do Brasil.